domingo, 14 de outubro de 2018

Até sempre!



Dou-me por inteiro, até à exaustão, quando acredito. Até à exaustão (disse bem), que só me acontece verdadeiramente quando deixo de acreditar. Sou então muito má companhia. E é por isso que prefiro partir, para — como diz Torga — eventualmente recomeçar, se puder, algures, sem angústia e sem pressa, noutra loucura qualquer em que, lucidamente, me reconheça. Mais tarde, talvez, porque agora a lucidez não mo permite. Vejo-me num mar frustrado e quieto, feito de passado e presente, povoado de gente que rema desalmadamente sem realmente navegar. Não!
O Quadro Negro completa hoje um ano de vida, o seu ano de vida. Deu à luz 195 verduras, prenhes de sonho e ilusão. Aqui vieram, em sucessiva visitação, 247 mil caminheiros. Dei-lhes, graciosamente, tudo o que tinha. Casa cheia, à luz do dia, sala vazia quando o breu sobre mim se abatia, mesmo em noites de lua cheia. Depois do sol-pôr, a dor sem dó nem remissão: fiquei sempre invariavelmente só; só eu e a minha solidão.
Agora, porém, é chegada a hora de fechar a porta e partir, à procura — quem sabe? — de um clarim qualquer que, inesperadamente, acorde lá longe, ou em mim, algo azul que me faça reviver. 
Entretanto, um pequeno favor: não me presenteiem com o verbo “desistir”, nem por bem nem por mal. Creio que ninguém tem autoridade para tal.

PS – Desta vez, não encerrarei o blogue. Fica aqui… a boiar, como uma garrafa verde lançada ao mar.

6 comentários:

  1. Segui-o com agrado, revejo-me ek cada palavra que escreve sobre o partir, sobre a desilusão sobre o marasmo...boa sorte

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  2. Já te conheço. Não voltarei a cometer esse erro que já cometi um dia. Gostaria que ficasses mas também eu comungo bastante desse teu espírito edees visão crítica deste nosso momento. Também quero bater com a porta... mas não ainda. Vamos ver. Deixa-me que te diga que gosto de saber que vais deixar aqui o Quadro egro a boiar...
    Fica bem, Luís Costa! É sempre um prazer poder caminhar a teu lado... e eu sei que vais continuar. Beijo enorme! Até.

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  3. Abraço! Os momentos em que sorri ou entristeci com o Quadro Negro jamais os esquecerei.

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  4. A minha solidariedade “Quadro Negro”
    https://duilios.wordpress.com/2018/10/19/o-professor-hoje-nao-pode-ser-um-piegas/

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