sexta-feira, 27 de julho de 2018

STOP – Dois erros estratégicos



«— Louco! — exclamou o Cavaleiro Negro. — Junto do Chrysus, a Espanha pedia aos seus filhos que morressem sem recuar: aqui é também a pátria que exige dos seus últimos defensores que não se votem a morte inútil. Fujamos! vos digo eu; porque a fuga não pode desonrar aqueles que mil vezes têm provado quanto desprezam a vida. Vede… Não são apenas alguns corredores que nos perseguem: são esquadrões e esquadrões de agarenos que transpõem aos nós a assomada.
Mas eles não o escutavam: Sanción, seguido dos seus nove companheiros, investia contra os árabes, que tinham entretanto chegado.»
Eurico o Presbítero, Alexandre Herculano

Como já aqui disse, prolongar insensatamente o sacrifício de quem luta, no terreno, é comprometer seriamente ações vindouras. Foi, a meu ver, o que, involuntariamente, o STOP acabou por fazer, ao decidir — após a realização de um inquérito, ao qual respondem, anonimamente, os que estão mesmo dispostos a lutar, mas também os que nem por isso e aqueles que nada têm a ver com a luta, mas querem atirar achas para a fogueira — ao decidir, dizia eu, manter e prolongar a greve, quando já não era possível vislumbrar relevantes efeitos práticos da mesma. Disse-o então e repito-o: na minha perspetiva, foi uma pequena loucura motivada por um entusiasmo quase adolescente. É cabeça fria — muito fria — que tais momentos exigem.
Quais foram os ganhos? Foi exposta a prepotência incompetente da diretora-geral da DGEstE, a repugnante subserviência de Filinto Lima, a abjeta amorfia de muitos dos nosso diretores e personalidade ziguezagueante da troica ministerial. Mas isso… já todos nós sabíamos, já todo o povo sabia. Apenas ganhámos clareza e nitidez. Muito pouco, portanto. Já quanto às perdas…
Temo que este insensato sacrifício não tenha apenas exposto os defeitos de quem manda, desde o castelo real aos muitos xerifes de Nottingham que vão semeando medos e servilismos nos territórios educativos. Temo que este esforço adicional, involuntariamente, tenha fragilizado os resilientes mais corajosos e determinados, que se foram vendo progressivamente isolados, em divergências e ruturas sucessivas com os seus pares; temo que esta insensata porfia, impensadamente, tenha aberto as portas aos medos docentes entretanto repelidos; temo que esta excessiva ousadia, inadvertidamente, tenha acabado por oxigenar o autoritarismo saloio de muitos diretores; temo, por tudo isto, que esta benévola loucura tenha comprometido, de alguma forma, as próximas (inevitáveis) ações de luta. Espero, sinceramente, que não!
Não sou ninguém para dar conselhos aos dirigentes do STOP, sou apenas mais um dos muitos soldadinhos de chumbo, mas um soldadinho de chumbo que, apesar de recentemente ter aderido formalmente ao sindicato (e isso diz muito) não abdica de ter voz independente e de dar a sua opinião, mesmo contra a corrente e contra muitos riscos, incluindo o da presunção e o do ridículo. Por isso, peço a quem o dirige um pouco mais de calculismo, de frieza estratégica e de “postura institucional”, sem abdicar da riquíssima proximidade e omnipresença que soube conquistar. Estar próximo dos professores (dos colegas) não significa poder fazer o que os colegas fazem no terreno. Eu e outros soldadinhos como eu podemos ridicularizar muitas figuras que dizem barbaridades contra nós, mas o STOP (penso eu) não o deve fazer nem deve partilhar tais “brincadeiras” nos seus placares cibernéticos. O STOP, mais tarde ou mais cedo, vai ocupar o seu lugar na mesa negocial. E convém que vá trajado a rigor, porque não lhe vai faltar oposição.
Deste lobo solitário que muito vos preza, admira e quer para vós só o melhor.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Carta de despedida – Um voo triste



De forma impulsiva, pensei em escrever este texto antes da publicação das listas do concurso interno antecipado. Cheguei mesmo a sentar-me aqui, diante do computador, e a escrever algumas linhas, que acabei por apagar. Afinal, as minhas palavras poderiam ser mal interpretadas, caso o “destino” ditasse a minha continuidade na Mosteiro e Cávado (pareceria que estava a tentar remendar uma tentativa frustrada). Mas agora estou livre de dizer, uma vez que vou mesmo embora.
Fui lá colocado no ano passado. A minha adaptação, como sempre, não foi nada fácil, apesar de ter encontrado um ambiente acolhedor. “Erros” meus (juramentos desta interminável cruzada docente), má fortuna (as eternas “fadas merdinhas” deste mundo) e amor ardente (a convicções, princípios e valores) trataram, como sempre, de me preceder e de criar o já rotineiro calvário que sou obrigado a subir. E foi ainda nesse contexto de adaptação que tomei e comuniquei, oralmente e por escrito, de forma circunstanciada, a decisão de sair, vaticinando que haveria um concurso interno, que eu seria colocado noutra escola e que os resultados dos meus alunos na Prova Final seriam a minha última palavra. Isto passou-se nos derradeiros dias de outubro e culminou no dia 1 de novembro, numa missiva de nove páginas. E tudo acabou por acontecer como eu então previ, até a dor que agora tenho a morder-me o peito! Infelizmente, já vou estando habituado!
Muitas manhãs, entretanto, foram dourando os dias; veludo de pétalas, entretanto, dado e recebido; mãos, entretanto, firmemente apertadas; braços, entretanto, genuinamente entrelaçados; olhares, entretanto, desvelados e tornados cristalinos. O entretanto… sem dúvida alguma… foi AMOR. Fomos transformando o meu calvário numa ingremidade de afetos. No entanto… abril, já cativo de cores e odores primaveris, fez-me arrostar o granítico peso da decisão tomada. Podia (e talvez devesse) ter recuado, mas não o fiz. O meu coração não foi capaz de vencer a força da palavra tão perentoriamente assumida. Sísifo fadado.
Nos últimos tempos, sobretudo nos declives do terceiro período, a pergunta, sempre acompanhada de expressões faciais e de olhares que não iludiam, tornou-se diária: “Achas que vais sair?”. Sim, achava que sim! E erguia-se-me a habitual ventania que faz rodopiar doces tristezas em mim! Suaves prestações deste fel!
Saio da Mosteiro e Cávado com a certeza da saudade no cais e na bagagem que transporto. De lés a lés, amei e fui amado. O meu calvário foi alando a minha cruz até ao azul intenso. Não levo, por isso, nenhum travo de amargor a não ser o da despedida. Sinto-me condor… a voar contra o vento! É outono!

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Para Mário Centeno, com... ardor!




Doutrinar como um asno engomado


A directora-geral da DGEstE informou as escolas sobre o modo expedito de concluir o ano lectivo, atropelando a lei e sequestrando os professores. Fê-lo a 20 deste mês, a pedido de “elevado número” de directores incapazes de assumir responsabilidades e autonomia, retomando na prática o que já havia dito na famigerada nota informativa de 11 de Junho. Como a situação era complicada, a diligente funcionária puxou pela cabeça e chamou a polícia. Depois, doutrinou como um asno engomado, apenas com um ligeiro senão: é que os conselhos de turma não são órgãos administrativos e, portanto, a sua geringonça argumentativa pariu mesmo abaixo de zero. A nota informativa, versão dois, é papel molhado, cujo destino não é a obediência, mas tão-só o lixo.
Com efeito, o Despacho Normativo n.º 1-F/2016, já da lavra do actual secretário de Estado João Costa, na senda aliás da anterior Portaria n.º 243/2012, dispõe claramente assim (artigo 23.º): “o conselho de turma, para efeitos de avaliação dos alunos, é um órgão de natureza deliberativa, sendo constituído por todos os professores da turma e presidido pelo diretor da turma”; compete ao conselho de turma “apreciar a proposta de classificação apresentada por cada professor, tendo em conta as informações que a suportam e a situação global do aluno”; “as deliberações do conselho de turma devem resultar do consenso dos professores que o integram, tendo em consideração a referida situação global do aluno”; “quando se verificar a impossibilidade de obtenção de consenso, admite-se o recurso ao sistema de votação, em que todos os membros do conselho de turma votam nominalmente, não havendo lugar a abstenção e sendo registado em ata o resultado dessa votação”. (Os sublinhados são meus).
Como pode uma directora-geral atentar tão despudoradamente contra um direito fundamental dos professores, o direito à greve? Como pode servir-se de outro, o direito às férias, para tentar tomá-los como reféns, num hediondo golpe de chantagem? Como pode, rasteiramente, ignorar o que fixa o Artº. 57º da Constituição? Como pode confundir a independência intelectual e profissional de um professor com o servilismo de um qualquer burocrata? Como pode confundir um acto pedagógico, colegial, consequência de ponderação responsável, com um mero acto administrativo, automático? Como pode ignorar as sucessivas disposições legais, que devia proteger por elementar dever de função, para tentar impor um comando ignaro, que as cilindra?
Fora este um ministro decente e dia 26, data limite do ultimato da patusca directora-geral, seria antes a data simbólica da demissão da dita. Por uma questão de higiene constitucional. Com efeito, esta senhora não entendeu que todas as formas reivindicativas, provocando desconforto nalguns, são, acima de tudo, uma forma de chamar a atenção da sociedade para a causa que as motiva. E não entendeu que não há greves só aos fins-de-semana e feriados. Esta senhora tem, de modo reiterado, tentado trucidar a nobreza do acto educativo, com a sua substituição pela vulgaridade do acto administrativo. Na sua lógica redutora, qualquer Lola do Simplex (o robot recentemente criado) a substituía (reconheço que com vantagem). Entendamo-nos: atribuir classificações finais sem validação pela presença de todos os elementos dos conselhos de turma é o abastardamento do acto educativo, é desleal e desonesto para alunos e professores e falseia os resultados finais.
Mas a lama não mancha apenas o Ministério da Educação. Mergulha nela a habitual bonomia de António Costa, que assiste, seráfico, ao acto degradante para o ensino público de trocar reuniões sérias e conformes com a lei, pela palhaçada, escandalosa e ilegal, de três ou quatro professores decidirem por nove ou doze, sem a presença mesmo do director de turma. Em tempo de celebradas reversões, este regresso à época das notas administrativas envergonha a deontologia elementar e a ética mínima. Como é hábito, os desqualificados que comandam devem brevemente dizer, numa qualquer televisão, que estão de consciência tranquila.
in Público, 23/07/2018

sábado, 21 de julho de 2018

Os Senhores Extraterrestres



Filinto Lima está cada vez mais extraterrestre. É um facto. Mas não é o único: aqueles que ele diz representar também estão. Jazem nas escolas, mas parecem pertencer a outro planeta, de outra galáxia, que os telecomanda.
Ainda há dias esta personagem disse A no dia D e, dias mais tarde (dia D+X), já dizia B (refiro-me à sua vénia diante da malfadada nota informativa do dia 11 de junho, dias depois transformada em recusa por, supostamente, ter sido considerada ilegal). Hoje, a mesma pessoa (Lima himself), novamente em modo protocolar, veio à praça bendizer, aclamar e subscrever uma diretiva que é ainda mais grave do que a citada nota. 
Desculpem-me os leitores, mas vou ter de adequar o registo de língua ao referente.
Na minha juventude, costumávamos chamar graxistas a estes gajos. Os graxistas eram uma casta que estava sempre de acordo com a autoridade das escolas, dos colégios e dos liceus: professores, presidentes, reitores… Estavam-se borrifando para os colegas, pois o que eles queriam era que a sua vidinha fosse fofinha e corresse sempre bem debaixo daquele guarda-chuva impermeável. E como nós adorávamos tratar da saúde aos graxistas! Alguns deles até eram mesmo bufos, e a esses… Adiante! 
O problema atual está na generalização do “graxismo”. Foi instituído por lei e agora há pelo menos um gaxista autómato em cada escola. Um “estudante pálido”, como diria Bernardo Santareno. São, em geral, gajos e gajas solitários, amedrontados e dispostos a quase tudo, no escrupuloso cumprimento da sua religiosa obediência. Que se danem os colegas, pois o que eles querem é ver-se livres das saraivadas vindas do céu dos manda-chuvas: “Meu querido S. Rodrigo, não me castigues a mim, castiga o meu amigo!”. E, como uma desgraça nunca vem só, também o “graxismo” é altamente contagioso. Que o digam aqueles que juram representar os pais e encarregados de educação.  A graxa já é tanta que até parece que vivemos numa mina de carvão.
Os diretores (nem todos, como é óbvio, mas quase) são uma espécie de peça de engrenagem. Lá longe, ao cair da tarde, uma mão aciona o maquinismo e… as peças, todas engatadas umas nas outras, entram num movimento simultâneo, compassado, sincronizado, automático, acéfalo, desumano… mas eficiente e eficaz. Já ninguém tem ideias próprias, objeções de consciência, limites para a obediência. Não, tudo isso é coisa do passado, letra morta e ultrapassada. Agora… tudo é administrativo e maquinal. O cérebro e o caráter tornaram-se exuberantes extravagâncias. 

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Capitão Pestana


Sei que, tecnicamente, não está um primor (estou sem tempo para esmeros), mas serve perfeitamente como significante. Espero não causar ciumeira.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

terça-feira, 17 de julho de 2018

Balanço e contas



Hoje é dia de balanço e contas aqui no Quadro Negro, que fez nove mesinhos há dois dias. Todavia, não é esse o principal motivo deste relatório. Também não é contágio da mania que anda por aí (de fazer contas já feitas). A razão é simples: a toca do lobo atingiu hoje as 200 000 visitas. Pas mal, n’est-ce pas?
Sei que há no mercado blogues com um share muito mais exuberante, porém, dou-me por sastifeito (o erro é propositado, queridos mirones). Para um blogue com as características do Quadro Negro (subversivo quanto baste, irreverente que até chateia, quase um antro de pecado, muito pouco informativo, com reflexões de meia tigela e ideais que não lembram ao Diabo com maiúscula…) não está nada mal (penso eu de que, como diria o dragouê das ántas).
Entre os cinco artigos mais lidos, está uma carta de exortação à greve de 15 de novembro (27 025 visualizações), um texto muito recente (“Os professores acordaram”, com quase 8 500), “O meu tempo”, que, no conjunto das duas edições também já tem idêntico número de leituras, mais uma carta dirigida aos colegas (“Aos professores ainda vivos”, com 6 772 visualizações) e, por fim, um “bilhete” enviado aos sindicatos, em março, a propósito de um boato (“Espero um desmentido dos sindicatos”, com 6 245 leitores). Ena, pá, tanta gente enganeitide and tão mal influencieitide (em itálico por se tratar de empréstimos à bancarrota)!
Como é visível na imagem, os meus perversos leitores residem quase todos em território nacional (é por estas e por outras que o país nunca mais se endireita). Os restantes do top five… é ver na imagem, como diria o nosso saudoso Guterres, que, “no seu tempo”, também já tinha a mania de mandar fazer contas (e, apesar disso...).
E prontes (outro erro propositado, ó cuscas de plantão), são estas as modestas contas do Lobo Mau. Será caso para fatiar um bolo bom, para mandar acender umas velinhas (aproveitando as contas para rezar o terço) ou para ir ver se beijo a Capucho Vermelho? Está difícil, uma vez que a primeira alternativa não me agrada e a segunda é a minha religião que não permite. Que se danem as contas, vou aproveitar só o balanço!
Digam o que disserem, este blogue… não tem comparação (modestamente, claro)!

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Como surpreender governantes - Ataque Total


Ora… aqui está a minha derradeira sugestão, desta vez para um ataque plataformista total, caso as ideias anteriores, devido a alguma anomalia do clima, não produzam os efeitos pretendidos.

domingo, 15 de julho de 2018

Como surpreender governantes - 3



Enquanto stopistas e seus seguidores continuam na sua greve lingrinhas, plataformistas — especialmente os fenprofistas, através da infatigável ação do seu intrépido líder, Mário Nogueira — continuam a atazanar as férias dos governantes. Que carraças!
Depois de surpreender Alexandra Leitão e João Costa, que — dizem — têm agora pesadelos ininterruptos, mesmo quando acordados, chegou a vez de Tiago Brandão Rodrigues. Escolhi este conceito, mais maneirinho, por hoje ser domingo, dia de ir à missa serenar o coração e purificar a alma. Não é, portanto, boa ocasião para inspirar pensamentos ou desejos pecaminosos seja a quem for. Por outro lado, também não quero que pensem que só possuo ideias libidinosas ou que sou um tarado sexual sem remissão.  
Cá temos, então, aquele que nunca dorme prestes a estragar as férias do nosso governante cientista, que está ali tranquilinho da silva, perto das águas doces do Coura, talvez a pensar no festival que se avizinha. Mal ele sabe que a Big Surprise está iminentíssima. Quanto voltar o olhar penetrante, deparar-se-á com os irritantes algarismos (9, 4, 2) e com o abominável surpreendedor de governantes. Meu deus!!!
Como podem constatar, a luz do nosso ministro da Educação está na barriga. É por isso que ele ainda cedeu. Sente, mas não compreende. O susto, que está prestes a acontecer, vai fazer subir aquela luz à cabeça.    Perliiiiiiiiiiim! O apagão transformar-se-á em clarão e… homem iluminado de fresco!
Escusam de me agradecer, porque sou um rapaz modesto e assaz tímido. Estas situações de reconhecimento público de mérito deixam-me pouco à vontade, fazem-me corar e até me dão vontade de fazer… tchim-tchim (o som dos copos, quando se brinda). Já estavam a pecar, seus e suas incorrigíveis!

sábado, 14 de julho de 2018

Como surpreender governantes - 2


Como os crianços e as crianças já foram dormir com os anjos, já posso apresentar aquela que eu considero a surpresa ideal (infalível) para… João Costa. Se o Mário fizer isto, temos o tempinho todo pela certa.

Como surpreender governantes - 1



Achei a ideia de Mário Nogueira simplesmente genial: surpreender governantes durante as férias. Como gostava de ter sido o autor (infelizmente, já é tarde) decidi juntar-me a ele, colaborando com algumas sugestões.
Aqui fica a primeira, para surpreender Alexandra Leitão . O impacto está garantido. O sucesso... logo se vê (ou não).
Depois… não digam que eu não tenho uma postura construtiva.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

A pergunta que se impõe




Depois do crepúsculo patético de ontem, a pergunta que se impõe é a seguinte: o que podemos ganhar com o prolongamento desta greve com final anunciado? É urgente que todos os sindicatos respondam a esta questão, uma vez que o sacrifício não é moralmente recomendável nem aceitável, quando é cego.
Aos sindicatos da Plataforma, pergunto: continuar a grave até amanhã, dia 13, porquê?  Se a questão foi ontem chutada para as calendas gregas, como explicam aos professores por que motivo ainda devem continuar a fazer greve hoje e amanhã, se, no entender desses sindicatos, na próxima segunda-feira tudo regressa à normalidade. Para manter o protocolo?
Ao STOP, idêntica questão, que deveria ter sido esclarecida em nota prévia ao inquérito ontem iniciado: que ganhos (no âmbito desta luta) podemos obter com o prolongamento da greve até ao dia 31 do corrente? Se vamos prolongar este sacrifício até essa data, queremos perceber que impacto poderá ter tal ação. Se é para fazermos (sem mossa que se vislumbre) as reuniões nos primeiros dias de agosto, então…
Então — dizia eu — mais vale, estratégica e inteligentemente, encerrar já as “hostilidades”, retomar a “normalidade” e aproveitar o “defeso” para recuperar energias e repensar devidamente o regresso à luta em setembro. Prolongar estupidamente o sacrifício é comprometer seriamente ações vindouras.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

STOP é para... avançar!




Porque não é sensato dizer, a quente, tudo o que o coração e a razão desejam, vou limitar-me a enunciar, de forma muito sucinta, o que, na minha opinião, o STOP trouxe para o xadrez da luta.
1.º - É um sindicato ousado e sem outras fidelizações.
2.º - Provou que os professores, afinal, estão vivos, recomendam-se e são capazes de lutar pelos seus direitos, quando percebem que a luta é mesmo a sério.
3.º - Provou que temos andado a ser geridos.
4.º - Está muito próximo dos professores e é perfeitamente acessível. Os professores sentem que estão a lidar com colegas e não com líderes políticos.
5.º - Inspira confiança.
O STOP tem sido tratado, quer pelo Governo quer pela Plataforma Sindical, como o patinho feio do sindicalismo docente. É, afinal, o cisne de que estávamos a precisar.

A retórica do IP3



António Costa disse, no lançamento da empreitada de requalificação do troço entre Penacova e Lagoa Azul, que ao fazer obra no IP3 “estamos a decidir não fazer evoluções nas carreiras ou vencimentos”. Deixou, assim, bem claro que o dinheiro para as estradas origina a falta de dinheiro para as carreiras e salários e que o não reconhecimento de todo o tempo de serviço prestado pelos professores não é uma questão de dinheiro mas, outrossim, uma questão de prioridades.
A adesão inicial dos professores de esquerda ao vazio do programa político do PS para a educação ficou a dever-se às chagas que o “ajustamento” deixou e à habilidade de António Costa para se entender com o PCP e com o BE. Agora que esse entendimento abana (se não acabou já), António Costa reduziu o PS ao que sempre foram os figurões incompetentes que propôs para a educação. O significado político da retórica pelintra do IP3 ilustrou-o bem. Dizendo o que disse, António Costa deixou implícito que a negociação que hoje vai recomeçar não pode ser mais que a repetição da coreografia do costume, para tentar desmobilizar uma greve que dura há cinco semanas, com uma eficácia que surpreendeu.
Com efeito, os textos das cartas trocadas entre os sindicatos e o ministério, como preâmbulo do tango (para usar a metáfora do próprio ministro) que a partir de hoje vão dançar, enlaçados num faz de conta de desfecho já escrito (a plataforma mortinha por suspender a greve e uma vez mais sair de cena sem resultados, quando a hora era de cerrar fileiras e dizer não, e o ministério decretando previamente quem comanda o baile) são confrangedores: o dos sindicatos por mendigar a retomada de uma negociação que o ministério interrompeu quando chantageou; o do ministério por começar logo (ponto 1 da missiva) com a perfídia de sempre. Com efeito, como pode uma doutora em direito (Alexandra Leitão) rastejar de fininho sob uma lei, como se ela não existisse, que separou a carreira geral dos funcionários públicos das carreiras especiais dos militares, polícias, magistrados, médicos, enfermeiros e professores, ou um doutor em bioquímica (Tiago Brandão Rodrigues) afirmar que 70% de 10 é igual a 70% de 4?
Foi com este pano negro de fundo que a avaliação dos alunos, legalmente definida em termos circunstanciais precisos, enquanto decisão colegial de um conselho de turma, foi substituída por um expediente escabroso, ilegalmente determinado num lance golpista, impróprio de um Estado de direito. Foi com este pano negro de fundo que a reflexão e a ponderação pedagógicas deram lugar a simples números, onde 50% mais um dos professores, arregimentados não importa com que critério, foram coagidos a fazer o que os pequenos chefes da choldra ministerial determinaram. Definitivamente, só apetece dizer-lhes, com José de Almada Negreiros, que são “uma resma de charlatães e de vendidos, que só podem parir abaixo de zero”!
Esta leitura, válida para as políticas de educação, assentes em romarias, foguetório, burocracia sem fim, precarização e medidas desgarradas e ocasionais, será igualmente feita para a economia quando a denominada sociedade civil emergir da falácia que a propaganda bem orquestrada lhe vendeu. Como é possível falarmos de milagre económico quando no cotejo europeu a nossa economia é a quarta a contar do fim, em termos de crescimento? Que milagre económico é esse, quando as estatísticas europeias mostram que o nível de vida dos portugueses está em regressão há 15 anos e que o rendimento per capita português em 2018 é 78% do europeu, quando era 84% em 1999?
A falência dos partidos tradicionais em Espanha, Itália França e Grécia e as vocações autoritárias nascentes na Polónia, Hungria e República Checa deviam levar António Costa a confiar menos na vaca voadora da sua alegre casinha.
Até às eleições de 2019, espero que os eleitores percebam que o establishment político que a geringonça gerou, pese embora tímidas melhorias pontuais, foi criado a partir de “realidades” ficcionadas. “Realidades” manhosamente construídas à margem do que é importante, que nos fizeram aceitar uma nova servidão, apenas menos triste.
in Público, 11/07/2018

domingo, 8 de julho de 2018

O meu tempo



Retomo um dos textos mais lidos deste blogue. Se estava pleno de atualidade no dia 1 de dezembro passado, agora… muito mais.

O meu tempo

Quando iniciei a carreira, tinha todo o tempo do mundo diante de mim. Mas também tinha tempo no tempo em que vivia e trabalhava. Tinha tempo para SER, de corpo inteiro. Falhava-me, muitas vezes, o dinheiro, mas tinha o melhor aliado de um professor: o tempo.
Com o tempo, fui perdendo tempo: o que o próprio Tempo me foi subtraindo e aquele que me foi sendo roubado, sobretudo no último decâmetro cronológico congelado. Perdi toda a noção do tempo. Foi o descontrolo total: deixei de ter tempo para ler, para me informar, para estudar, para planificar com tempo, para ensinar e educar com tempo, para refletir, para consolidar com tempo, para repetir, criar rotinas, aperfeiçoar…; deixei de ter tempo para assimilar as constantes mudanças (a todos os níveis) que, em vórtice vertiginoso, inundaram a escola de instabilidade e indefinição; deixei de ter tempo para ser o professor que fora até então. E o drama de ser foi tragicamente agravado pela enxurrada de tarefas e de logros que me desviaram criminosamente do meu espaço e me passaram a consumir o meu já tão escasso tempo. Tornei-me um carente de tempo, um faminto de tempo, um… predador de tempo. Fiz-me ladrão de tempo.
Comecei por roubar ao meu próprio tempo: o saboroso tempo dos meus passatempos. Depois, tive de ousar roubar o tempo dos amigos. Principiei com pequenos furtos e acabei por roubar desalmadamente. Espoliei-os até à exaustão. Mais tarde, como o meu tempo docente continuou a ser aleivosamente assaltado, fui obrigado a roubar os meus próprios Templos. Tornei-me um cleptómano do meu Tempo Sagrado: desatei a roubar tempo ao meu sono e aos meus sonhos. Passei a dormir muito menos e a sonhar muito menos também. Cada vez menos, o que é leucémico para um professor. Acabei nesta total e irremissível indigência: roubo agora tempo aos Meus. Pecado capital! Talvez por isso não mereça nem perdão, nem gratidão nem respeito. Sou um miserável de tempo e do meu tempo.
Dou-me a um país que tem dinheiro para quem rouba o que a tantos tanto tempo leva a amealhar, mas que não tem dinheiro para dar a quem faz a gestação luminosa do tempo à custa de tanto tempo roubado. A mim, POR FAVOR, pague-me o meu país, em tempo, o meu tempo congelado, que é de tempo que ando famintamente carenciado. Mas, POR FAVOR, pague-me a tempo, senão já não vou a tempo de ser minimamente saciado.

sábado, 7 de julho de 2018

Aos professores do meu país


Édouard Detaille - "Le rêve"


Caros colegas,

Decorrido o primeiro mês de greve — o primeiro da História do Ensino em Portugal —, a alguns dias de uma nova ronda negocial entre sindicatos e Governo, já com muito desgaste acumulado e com o merecidíssimo mês de férias no horizonte, mas ainda sem resultados absolutamente nenhuns, é importante relembrar a justeza da causa que nos fez erguer e a honra que devemos à luta já travada e a todos — foram tantos! — os que a ela se têm dado.  Dobrámos a Boa Esperança, mas só a Índia é nosso destino.
Não são animadores os sinais que emanam dos preparativos para a reunião agendada para o próximo dia 11. As sombras do passado, a marginalização do STOP e o silêncio da Plataforma Sindical relativamente a este facto ciciam receios à minha intuição: temo ver entronizar um eventual prémio de consolação. Se assim for — porque esta luta é tão justa, tão intrínseca e tão grande que não admite senão a totalidade —, exorto-vos a permanecer na luta, ao lado deste sindicato, que espelha na perfeição os nosso anseios, dando corpo às eventuais ações de luta que venha a desenvolver. Esperemos que tal não aconteça, que estes meus receios não passem de sombras do passado, mas estejamos preparados para essa eventualidade. É importante prepararmos a mente para o largo oceano, pois só assim teremos a necessária força de vencer.
Colegas, quando as causas são justas só a razão pode triunfar. Mas, para que a razão triunfe, temos de saber preservá-la religiosamente, com os pilares que a suportam: o nosso respeito, a nossa dignidade, a nossa deontologia e a nossa honra. Só venceremos de verdade, se o fizermos com exemplaridade. Uma vez que não admitimos ceder — e muito menos lançar a toalha ao chão — então façamos o que tivermos ainda de fazer, suportemos com dignidade o calvário que os dias vindouros nos trouxerem: não admitamos, nem no íntimo do nosso pensamento, fazer férias sem avaliar os alunos. Se as circunstâncias nos obrigarem a manter esta longa luta, então façamos esse sacrifício com toda a elevação moral e profissional. Saibamos continuar a ser dignos dos problemas que estamos a causar aos nossos alunos, aos seus encarregados de educação e à comunidade, em geral. Ganhar assim seria a pior forma de perder. Otium cum dignitate. As férias só o serão, se a elas chegarmos íntegros. Se assim for, recuperaremos bem mais do que o tempo congelado: muito do respeito que quotidianamente reclamamos.
Termino, colegas desta tão nobre profissão, com a expressão sinceríssima da minha convicção mais profunda: sairemos vencedores. É apenas uma questão de tempo e de capacidade de sofrer.   Sigamos, pois — de cabeça erguida —, o nosso auspicioso rumo.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

A Noite



Hoje, dobrado o primeiro mês de greve — ainda sem terra firme à vista — trago-vos um poema meu, escrito num momento difícil da minha vida, que as trevas tentaram aproveitar para me povoarem o coração e se apoderarem de mim. Foi assim que as venci. Amanhã, caras colegas e caros colegas de todo o país, dedicar-vos-ei uma… Ia dizer “missiva”, mas será apenas um elixir.


A Noite

A Noite veio ao meu leito
Falar-me do silêncio do medo
E das horas sós
E eu enfrentei a Noite
Toda a noite
Com a força da minha voz

Veio falar-me do Outono
Da fúria do vento
E da força do Mar
E eu encarei a Noite
Toda a noite
Com a paz do meu olhar

A Noite trazia no peito
O deserto a dor
A vida crucificada
E eu entreguei-me à Noite
Toda a noite
Até à Madrugada

A Noite veio de noite
Falar-me do sono
Da Morte e de mim
E eu possuí a Noite
Toda a noite
Até ao fim

quinta-feira, 5 de julho de 2018

97% dos professores… Ora vamos lá ver!



De facto, poucas coisas, nos dias que correm, me poderiam fazer rir tanto como esta notícia que hoje foi posta a circular (em bruto) na comunicação social: 97 em cada 100 professores não aceitam perder um único dia que seja do tempo congelado. É claro que não. Todavia, convém não fazer nem estreitamentos nem encarreiramentos interpretativos. Esses… só me fazer rir.
Não aceitando perder um dia que seja, na verdade, falta saber quantos professores estão dispostos a converter todo o tempo congelado (com anos, meses e dias completinhos) em bonificação na contagem do tempo para a reforma. É claro que a minha perceção (empírica, como é evidente) diz-me que são muitos, mas mesmo muitos, em número arrasador.
Todavia a minha vontade de rir não resulta apenas deste facto. Ela é substancialmente incendiada pelo modo como uma certa falange, que até aqui se tem eriçado e encarniçado contra a Plataforma Sindical, sobretudo contra a FENPROF, em geral, e Mário Nogueira, em particular, agora veio imediatamente a terreiro subscrever os resultados deste inquérito (subscrevendo, assim, o modo como foi concebido) e o partido que dele se pretende tirar. Dá-me, realmente, muita vontade de rir!
Sou assumido defensor da referida conversão, mas jamais defendi que deva ser imposta a quem não a desejar. Pugno para que seja uma alternativa para apenas para quem entender aceitá-la. Liberdade é a possibilidade de escolher, não o contrário. E tudo tenho feito para não me tornar fundamentalista. Assinei a ILC e, apesar do estandarte que ergui, tenho estado também, de corpo e alma, ao lado de todos os que exigem a contagem pura e simples de todo o tempo, ainda que de modo faseado. O que eu não aceito, de modo nenhum, é que esse tempo caia no esquecimento. Quanto ao modo de o Estado o assumir, sou a favor da negociação, sem áreas proibidas nem invenção de papões que vêm aí para comer os professores mais novos. Essa, então, faz-me mesmo cair para o lado de tanto rir, porque me traz à lembrança a história do Capuchinho Vermelho.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Até amanhã!




Um poeta e um poema. Coisa rara, aqui no Quadro Negro. Bateu-me hoje uma inesperada nostalgia de Aragon (ou dos tempos em que “o conheci”). P*** de vida!

Ballade de celui qui chanta dans les supplices

Et s'il était à refaire
Je referais ce chemin
Une voix monte des fers
Et parle des lendemains
On dit que dans sa cellule
Deux hommes cette nuit-là
Lui murmuraient "Capitule
De cette vie es-tu las
Tu peux vivre tu peux vivre
Tu peux vivre comme nous
Dis le mot qui te délivre
Et tu peux vivre à genoux"
Et s'il était à refaire
Je referais ce chemin
La voix qui monte des fers
Parle pour les lendemains
Rien qu'un mot la porte cède
S'ouvre et tu sors Rien qu'un mot
Le bourreau se dépossède
Sésame Finis tes maux
Rien qu'un mot rien qu'un mensonge
Pour transformer ton destin
Songe songe songe songe
A la douceur des matins
Et si c'était à refaire
Je referais ce chemin
La voix qui monte des fers
Parle aux hommes de demain
J'ai tout dit ce qu'on peut dire
L'exemple du Roi Henri
Un cheval pour mon empire
Une messe pour Paris
Rien à faire Alors qu'ils partent
Sur lui retombe son sang
C'était son unique carte
Périsse cet innocent
Et si c'était à refaire
Referait-il ce chemin
La voix qui monte des fers
Dit je le ferai demain
Je meurs et France demeure
Mon amour et mon refus
O mes amis si je meurs
Vous saurez pour quoi ce fut
Ils sont venus pour le prendre
Ils parlent en allemand
L'un traduit Veux-tu te rendre
Il répète calmement
Et si c'était à refaire
Je referais ce chemin
Sous vos coups chargés de fers
Que chantent les lendemains
Il chantait lui sous les balles
Des mots sanglant est levé
D'une seconde rafale
Il a fallu l'achever
Une autre chanson française
A ses lèvres est montée
Finissant la Marseillaise
Pour toute l'humanité

Louis Aragon

terça-feira, 3 de julho de 2018

ATA N.º 13



Não tinha de ser a 13, mas quis o acaso que fosse. Após o esperado conteúdo, acrescentados os textos recomendados pelo SToP, com ligeiras alterações na forma (mas sem desvirtuar o conteúdo), foi acrescentada esta nota de noite sem luar:

--------Antes de encerrarem os trabalhos, os professores presentes declararam ser este o dia mais triste da sua carreira. --------------------
--------Nada mais havendo a tratar, deu-se por encerrada a reunião da qual se lavrou esta ata que, depois de lida e aprovada, vai ser assinada pelo presidente da reunião e pelo secretário. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------
E assim foi, em dia cinzento e molhado, escrita mais uma página negra da História do Ensino em Portugal. Os olhos, mais sequiosos a cada dia que passa, já só catam avidamente a claridade da saída.

domingo, 1 de julho de 2018

Don’t STOP me now!



Como é do conhecimento geral, a greve “a doer” resultou da iniciativa do STOP, que é, portanto, o pai da criança. Os sindicatos da Plataforma Sindical — que, inicialmente, não a desejavam — tiveram de lhe dar alojamento, mas parecem não a ter perfilhado. Talvez por isso também tenham decretado uma espécie de serviços mínimos ao apoio que é necessário dar a quem tem turmas de 9.º, 11.º e 12.º: disseram que o acórdão contém ilegalidades, e vão avançar com um recurso, mas… talvez não estejam (na minha perspetiva) a fazer tudo para que, no imediato, seja possível impedir que tais ilegalidades se concretizem. Foi, talvez, por isso que só o STOP veio a terreiro dar a cara e assumir a responsabilidade de fornecer aos professores o apoio mais necessário neste momento importantíssimo da nossa luta. Na minha opinião, claro!
É por esta e por outras que eu amo as horas críticas. Elas revelam o melhor e o pior de cada um de nós. Tornam o nosso olhar mais cristalino.

Desculpem-me a clareza e o laconismo!



Como nota prévia, evoco toda a minha ação de conhecida resistência ao logo da última década e o facto de estar em greve, deforma consecutiva e completa, ou seja, de ter feito greve a todas as reuniões (sem sequer me importar se vão ou não vão ajudar-me nos prejuízos), desde o pretérito dia 8 de junho. É o que farei também amanhã, dia em que tenho apenas reuniões de 7.º ano. Dito isto, passemos então ao teor do título.
Não sou, em situações como esta em que nos colocou o acórdão do Colégio Arbitral, absolutamente nada a favor de “invenções”, de criatividade procedimental e de dispersão nas formas de resistência. Por isso, caso os sindicatos — com o devido suporte de quem é realmente especialista em questões de Direito — não nos digam, atempadamente e com clareza, o que devemos e não devemos fazer (ainda que entre as suas recomendações possam estar algumas sugestões, já conhecidas, produzidas em contexto de reunião geral de professores), defenderei a realização dos conselhos de turma de 9.º. 11.º e 12.º anos de escolaridade com a presença de todos os professores e com todas as legitimidades. Ou sim ou sopas. Não gosto de meias-tintas, nem de neblinas nem de terrenos pantanosos.
Os sindicatos (sobretudo nesta vertente mais “delicada” da nossa luta) têm o dever de transmitir segurança a todos os professores, para que todos os que querem manter a sua resiliência (mesmo quando as dúvidas os receios se avolumam) se sintam à vontade para atuar, porque sabem que estão protegidos. Eu, confesso, sem essa garantia, não me sinto absolutamente seguro para aconselhar quem quer que seja a fazer A ou a fazer B no sentido de contrariar os efeitos do contra-ataque ministerial.
Repito: venham a terreiro com orientações e garantias que nos transmitam confiança, ou eu (na qualidade de diretor de turma de 9.º ano e já convocado, como é óbvio, para presidir à minha reunião) seguirei o rumo acima enunciado. Quanto ao resto, manter-me-ei no meu férreo posto, fazendo e dando alento à parte da greve não abrangida pelos serviços mínimos e a outras formas de luta que venham a ser decididas, caso esta contenda se arraste no tempo.