sexta-feira, 22 de junho de 2018

O devedor honesto e o… outro



É muito comum, e absolutamente natural, um devedor não ter dinheiro para saldar a sua dívida, uma vez que é precisamente por falta de dinheiro que nós nos tornamos devedores. Todavia, há devedores e devedores: há os honestos e os... outros.
Os devedores honestos, em situação de não poderem, no imediato, cumprir as sua obrigação de pagar (o todo ou uma parcela) assumem não ter dinheiro NAQUELE MOMENTO e tentam negociar com o(s) seu(s) credor(es) as melhores formas de assegurar o cumprimento do acordo assumido de forma justa para ambas as partes, aceitando as consequências monetárias da sua circunstancial falta de capital para honrar a sua obrigação imediata. É assim que fazem os países cumpridores, é assim que fazem as pessoas probas e honradas.
Os devedores desonestos são coiotes, aqueles que catam matreiramente todas as possibilidades de fugirem aos compromissos assumidos. Em situação de não poderem, no imediato, cumprir a sua obrigação de pagar, declaram que NÃO TÊM DINHEIRO e tentam transformar essa circunstância conjuntural numa situação definitiva: falência absoluta do dever. NÃO TÊM DINHEIRO, PONTO FINAL! Os devedores desonestos, os que estão de má-fé, contrariamente aos honrados, não têm uma consciência que os acuse, que os faça sentirem-se em cativeiro moral enquanto não honrarem as suas obrigações. E não o sentem simplesmente porque não têm honra, pois, se a tivessem, tentariam todas as formas de pagar: com penhores, com a venda de outros bens móveis ou imóveis… ou negociando com o credor o faseamento da dívida. Porém, tais saídas são demasiado honrosas para os devedores coiotes, demasiado onerosas para quem está disposto a tudo para não pagar.
Qualquer semelhança com a realidade atual não é pura coincidência, é pura indecência.

Sem comentários:

Enviar um comentário