Aí
está a resposta mais do que previsível. Tiago Rodrigues baixa a fasquia até às baixezas
do insulto. Contudo — visto tratar-se de uma autêntica guerra de interesses, de
estatuto e de autoridade — não seria de esperar outra postura do lado que quem,
há muito, pretende diminuir a classe, para a instrumentalizar de forma absoluta.
Merecemos?
O que
conferirá a sucessivas equipas governamentais esta postura tão intransigente e
tão autoritária? Os “imperativos e/ou constrangimentos” orçamentais? Também,
mas… sabemos que tais limitações são mais, muito mais, impositivas para uns do
que para outros. São mais ditatoriais para quem, nesta guerra social, não tem
poder reivindicativo e muito mais relativas para quem o tem. E o que veem os
políticos quando, da panorâmica varanda do ministério, contemplam a prole
docente? Um corpo acobardado, desagregado, dominado por inomináveis egoísmos de
sobrevivência; um infindável número de profissionais que se digladiam entre si,
que se desautorizam entre si, que se sobrecarregam entre si, que se atrofiam
entre si… que se anulam. O que veem só lhes suscita o menosprezo.
Disse
Santana Castilho — usando uma expressão que se tornou viral — que a greve marcada
pelas organizações sindicais mais representativas é fofinha. Tem toda a razão:
é mesmo muito fofinha. Porém, uma pergunta se impõe: por que razão os
sindicatos persistem nas mais fofinhas formas de luta? Os que mais afoitamente
remam na nave que rodopia nas águas estagnadas dirão imediatamente que é porque
os sindicatos estão “feitos” com o poder, por porem outros interesses acima dos
interesses professores, por terem ficado parados no tempo… Mas esses “barqueiros”
são os mesmos que, diariamente, constatam que é preciso mendigar simples
assinaturas para recuperar algo que nos está a ser extorquido, algo que, supostamente,
todos devem querer recuperar. Esses “barqueiros” são os mesmos que,
diariamente, constatam que muitos e muitos professores nem sequer prestam atenção
às ações de luta que vão sendo marcadas para a recuperação do tempo de serviço;
que a maioria dos professores não tem força na coluna para resistir às “pressões”
locais decorrentes de uma greve a reuniões de avaliação de anos com exames
nacionais. Di-lo-ei em poucas palavras: para uma classe profissional “fofinha”,
só greves “fofinhas”. Ir além disso… com tantos rendidos e com tão eloquentes desautorizadores
de sindicatos… parece-me um desvario. E não saímos disto. Somos, de facto, uma
nave de loucos a rodopiar no tempo.
Como
facilmente se depreende — pela contundência do murro que hoje deu aos sindicatos
—, o Governo está cheiinho de medo da dita ILC. Os “barqueiros” dirão já que
está à espera das vinte mil assinaturas para, no Parlamento, com um bom jogo de
cintura, dar mais uma valente estocada na frente sindical dos professores. E
vão, por isso mesmo, reforçar os apelos à mobilização final para esse momento
apoteótico. Um louco, cheio de mazelas desta luta tonta, apeado no cimo de um
outeiro seco, limita-se a achar que, se tal votação algum dia acontecer, será mais
um jogo de espelhos como o da eutanásia, com uma pequena nuance: será mesmo um ato de eutanásia. Mas então, sim, ficaremos a
conhecer os políticos que temos! Eureka!

"murro que hoje deu"
ResponderEliminarOs sindicatos mereceram porque deram a outra face e apareceram sem a preparação necessária.
https://duilios.wordpress.com/2018/06/05/ministro-da-educacao-confirma-que-tempo-de-servico-docente-congelado-nao-vai-ser-contado/