segunda-feira, 4 de junho de 2018

Das fofuras


Aí está a resposta mais do que previsível. Tiago Rodrigues baixa a fasquia até às baixezas do insulto. Contudo — visto tratar-se de uma autêntica guerra de interesses, de estatuto e de autoridade — não seria de esperar outra postura do lado que quem, há muito, pretende diminuir a classe, para a instrumentalizar de forma absoluta. Merecemos?
O que conferirá a sucessivas equipas governamentais esta postura tão intransigente e tão autoritária? Os “imperativos e/ou constrangimentos” orçamentais? Também, mas… sabemos que tais limitações são mais, muito mais, impositivas para uns do que para outros. São mais ditatoriais para quem, nesta guerra social, não tem poder reivindicativo e muito mais relativas para quem o tem. E o que veem os políticos quando, da panorâmica varanda do ministério, contemplam a prole docente? Um corpo acobardado, desagregado, dominado por inomináveis egoísmos de sobrevivência; um infindável número de profissionais que se digladiam entre si, que se desautorizam entre si, que se sobrecarregam entre si, que se atrofiam entre si… que se anulam. O que veem só lhes suscita o menosprezo.
Disse Santana Castilho — usando uma expressão que se tornou viral — que a greve marcada pelas organizações sindicais mais representativas é fofinha. Tem toda a razão: é mesmo muito fofinha. Porém, uma pergunta se impõe: por que razão os sindicatos persistem nas mais fofinhas formas de luta? Os que mais afoitamente remam na nave que rodopia nas águas estagnadas dirão imediatamente que é porque os sindicatos estão “feitos” com o poder, por porem outros interesses acima dos interesses professores, por terem ficado parados no tempo… Mas esses “barqueiros” são os mesmos que, diariamente, constatam que é preciso mendigar simples assinaturas para recuperar algo que nos está a ser extorquido, algo que, supostamente, todos devem querer recuperar. Esses “barqueiros” são os mesmos que, diariamente, constatam que muitos e muitos professores nem sequer prestam atenção às ações de luta que vão sendo marcadas para a recuperação do tempo de serviço; que a maioria dos professores não tem força na coluna para resistir às “pressões” locais decorrentes de uma greve a reuniões de avaliação de anos com exames nacionais. Di-lo-ei em poucas palavras: para uma classe profissional “fofinha”, só greves “fofinhas”. Ir além disso… com tantos rendidos e com tão eloquentes desautorizadores de sindicatos… parece-me um desvario. E não saímos disto. Somos, de facto, uma nave de loucos a rodopiar no tempo.
Como facilmente se depreende — pela contundência do murro que hoje deu aos sindicatos —, o Governo está cheiinho de medo da dita ILC. Os “barqueiros” dirão já que está à espera das vinte mil assinaturas para, no Parlamento, com um bom jogo de cintura, dar mais uma valente estocada na frente sindical dos professores. E vão, por isso mesmo, reforçar os apelos à mobilização final para esse momento apoteótico. Um louco, cheio de mazelas desta luta tonta, apeado no cimo de um outeiro seco, limita-se a achar que, se tal votação algum dia acontecer, será mais um jogo de espelhos como o da eutanásia, com uma pequena nuance: será mesmo um ato de eutanásia. Mas então, sim, ficaremos a conhecer os políticos que temos! Eureka!

1 comentário:

  1. "murro que hoje deu"
    Os sindicatos mereceram porque deram a outra face e apareceram sem a preparação necessária.
    https://duilios.wordpress.com/2018/06/05/ministro-da-educacao-confirma-que-tempo-de-servico-docente-congelado-nao-vai-ser-contado/

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