Senhores
Ministros,
Embora
sem qualquer mandato para falar em nome dos docentes deste país, mas com sólido
conhecimento resultante de trinta e três anos de salas de aula e de salas de
professores — dez dos quais em constante vigília, devido a esta interminável
luta que, infelizmente, temos sido obrigados a manter com o poder político — escrevo-lhes
esta breve missiva para lhes transmitir uma férrea convicção: não vamos recuar.
Ao
longo desta belígera década, já vi os mestres de Portugal erguerem-se muitas
vezes e, infelizmente, também já os vi ceder, recuar, dobrar, encolher,
desesperar e soçobrar em demasia. Conheço muito bem, na primeira e na terceira
pessoas, os frutos do medo, as fragilidades da divisão, o gosto amargo da desilusão
e a perseverança das tentações de desistência. Porém — posso afirmá-lo — nenhuma
dessas brisas doentias varre, atualmente, o âmago das nossas escolas. O
sentimento dominante é de uma determinação similar àquela que nos conduziu à
gigantesca indignação de 2008, mas muito mais sólida, porque é menos romântica,
mais consciente e, por isso mesmo, muito mais preparada para os delongados sofrimentos
que a resiliência impõe. Não vamos recuar, Senhores Ministros!
“Todos”
os Portugueses sofreram as corrosivas consequências da crise financeira e da
consequente austeridade que foi imposta a Portugal. Como é óbvio, os
funcionários do Estado não ficaram isentos desse doloroso esforço, bem pelo
contrário. E entre eles estamos nós, os professores, a quem foram pedidos e
exigidos esforços maiores e mais diversificados. Todos bebemos o fel mais
amargo, muitos abandonaram a profissão, e alguns puseram mesmo termo à vida. Portanto,
senhores ministros, não aceitamos, de ninguém, lições de generosidade nem de
patriotismo. Nós temos sido a mais viva alegoria desses valores. A última
década foi, para nós, um longo e doloroso quarto minguante. E é por isso, e por
respeito próprio, que não abdicaremos da recuperação dos nove anos, quatro
meses e dois dias mais negros da nossa exigentíssima carreira profissional.
Não, nós não recuaremos, Senhores Ministros!
Estando
o Governo de boa-fé (como diz), e reconhecendo a legitimidade das nossas
reivindicações (como diz), não pode a conjuntural falta de dinheiro servir de
argumento para se divorciar definitivamente dessa obrigação, seja no todo ou
apenas em parte. Sendo legítima essa dívida, o Estado tem o dever de a saldar.
Não tendo possibilidades de a suportar totalmente no imediato — circunstância
facilmente entendível e aceitável — tem sempre a honrosa possibilidade de
negociar o seu faseamento, que é a nossa exigência irredutível, a condição sine qua non para pormos termo a esta
determinadíssima greve. Compete, pois, ao Governo definir o término desta
irreversível forma de luta. No instante em que decidir negociar o negociável,
nós retomaremos todas as nossas funções e devolveremos toda a normalidade ao
sistema de ensino. Enquanto não formos respeitados como merecemos, não
cederemos! Não cederemos, Senhores Ministros da Nação!

Bonito! Mas já estamos a ceder - e mais uma vez quem nos representa, nos trai.
ResponderEliminarApesar das vicissitudes, saibamos resistir, fiquemos no nosso posto a lutar!
EliminarAs declarações de Leitão e depois de Costa uma vez a apontar a antecipação da aposentação para a saída da crise, assim como o silêncio na net de alguns militantes do PS que conheço a penar em Juntas Médicas que poderão beneficiar com medida, faz-me pensar que em breve poderá ser moeda de troca. Mas como diz Paulo Guinote "Uma refeição suculenta que está no meio de uma estrada movimentada." A luta não deve parar!
ResponderEliminarÉ claro que não!!! Não é com rebuçados atirados para o ar que nos vão enganar!
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