sexta-feira, 18 de maio de 2018

Hoje, sinto-me... urso!




E lá vou eu, amanhã, com mais uns quantos, até à Capital, para fazermos… figura de urso! Vamos… LU-TAR! Tão ridículo, não é verdade? Coisa tão… do passado, tão de gente retardada…! Enfim, amanhã lá vamos nós, no bonde, para mostrarmos ao mundo a percentagem de gente estúpida que a escola pública ainda comporta. E o mundo vai sossegar, porque acabará por constatar que não somos assim tantos como isso.
Ainda assim, a transumância ursina vai ao Marquês, e vai ao Marquês porque ainda acredita que essa alegoria humana pode fazer alguma diferença, pode mudar alguma coisa, pode… ser positiva para a classe. Enfim! E lá vamos nós, os crentes do ensino, os missionários da docência militante… lutar. Vamos lutar (eufemismo nosso, para que a nossa consciência possa aceitar tamanha estupidez sem protestos)… vamos lutar, dizia eu, por todos, todos sem exceção: pelos que já não acreditam e por isso não vão; pelos que já se conformaram com o que lhes cai no prato e nas costas e, por isso, não vão; pelos que ainda acreditam, mas não estão para desperdiçar um dia da sua boa vida com tamanha futilidade; por aqueles que, acreditando ou não, não querem desagradar ao dono; por aqueles que já não acreditam nos sindicatos; por aqueles (muito mais inteligentes do que o resto da plebe) que acham que os sindicatos apenas organizam estas ações para fazerem a sua feira, com interesses meramente políticos e partidários, fazendo dos professores carne para canhão; por aqueles que acham que a era dos sindicatos já acabou; por aqueles que já não se sentem professores; por aqueles que já se instalaram e temem perder o encosto; e por aqueles que… se estão simplesmente borrifando. Amanhã, os ursos da docência vão a Lisboa esbracejar por esta gente toda. Devemos dar graças à Natureza por ter produzido tão benévola proporção!
 E pronto, amanhã vai ser o Dia Universal do Urso! Vamos todos à Capital para… ver como estão as estradas de Portugal!

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