terça-feira, 1 de maio de 2018

Aos cangalheiros dos cravos




A minha sincera homenagem aos pálidos missionários do desabril e do desmaio, a todos aqueles que trazem no silencioso ventre o crepúsculo da Liberdade. Sim, homenageio-vos, porque a vossa gestação vinga sobre aqueles, poucos, que ainda resistem. Já pouco valem as palavras livres! Já nada podem contra o vosso plúmbeo feto de escuridão! Parabéns, cangalheiros do azul! 
A minha sincera homenagem a todos os que se converteram em alegorias da conveniência cúmplice, da silenciosa aquiescência, da obediência cega, da receosa subserviência… da enfatuada escravidão! A minha sincera homenagem a todos os que transformam os punhos em dedos delatores! A minha sincera homenagem a todos ícones destes (des)valores! Com o vosso modo de estar e de ser, com a vossa cómoda resignação, com o vosso curvado exemplo, tornais-vos profetas e progenitores de uma era que dispensa a liberdade, a autonomia, a dignidade… o risco… a emancipação. Deixais de ser alados, mas ensinais muito bem a flexão que garante um papo cheio. Deixais de semear o livre pensamento, mas transmitis muito bem o valor de uma ração. Parabéns, cangalheiros do sonho e do coração!
A minha sincera homenagem a todos os que trocaram as vestes de mestres pelos grilhões de escravos! Parabéns, seguríssimos cangalheiros dos cravos! É vosso o deslumbrante reino dos véus!

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