segunda-feira, 14 de maio de 2018

Antero de Alda




Não o conheci pessoalmente (o que muito lamento!), e também já não poderei conhecê-lo desse modo. Antero de Alda, o homem, faleceu há dias! Tomei conhecimento desta triste notícia ontem, através do blogue minha estimada amiga Anabela Magalhães. Não podia ficar no silêncio!
Conheci o artista há alguns anos, antes de editar os meus primeiros livros. Foi o seu talento para captar a alma da minha gente barrosã (juntamente com Gérard Fourel, outro olhar aquilino) que me atraiu para o seu nome. Escrevi alguns textos debruçado sobre as telas fotográficas de Antero de Alda. Foram forjados com a minha alma colada à dele, tentando reconstruir o que a sua máquina vira, o que o seu olhar vira, o que a sua alma pressentira… e o que eu, transmontano e barrosão como os seus “modelos”, podia, com as minhas vivências, acrescentar a todas estas visões e intuições. Fiz parcerias com ele, sem ele saber.
Em 2012 fui convidado — gentileza dos meus queridos amigos Anabela Magalhães e Gabriel Araújo — para ir à Escola EB 2/3 de Amarante. O Antero não estava, mas tinha-me deixado, com um naco do seu tempo, outro tanto do seu talento e honrosa consideração, um mimo, em forma de cartaz a assinalar a minha presença naquela instituição. Arrostei-o logo à entrada, e não esquecerei os rodopios que senti. Gostei muito da textura, gostei muito dos símbolos, das palavras que ele soube, criteriosamente, retirar da minha “literatura”… Enfim, senti-me bem-vindo e muito honrado com a atenção que o Antero dedicou a esse pequeno evento de um pequeno escritor como eu. Fez-me sentir maior do que sou!
Associo-me, assim, à dor dos seus familiares, amigos e todos os conviveram e trabalharam com ele diariamente (os colegas da EB 2/3 de Amarante, cujo acolhimento está gravado a ouro no meu coração).
Quanto a ti, Antero, talvez um dia troquemos “almografias” e “prosipoesias”… aí… num sítio qualquer, onde brote arte das fontes!

3 comentários:

  1. Meu Amigo, comoveu-me o teu sentir, as tuas palavras. O Antero deixou um buracão em nós.

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  2. Não tenho dúvidas, Anabela! Seres humanos como o Antero são, normalmente, muito discretos, mas quando partem... vemos sua ausência em tudo. E só então enxergamos completamente como a sua alma preenchia os espaços e alentava os nossos dias.

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