É um
título que dispensa apresentações: uma reivindicação que, num país mais justo e
menos desigual, jamais precisaria de assumir tal estatuto. Deveria, por isso
mesmo, ser uma causa absolutamente agregadora e unificadora, mas, infelizmente,
não é.
Não
acredito que haja professores que não considerem esta reivindicação mais do que
justa. Não acredito que haja professores que não queiram recuperar este tempo
de serviço, assegurado com tantos sacrifícios (alguns pagos com a própria
vida). Alguns podem não acreditar, de todo, na sua recuperação; alguns (como é
o meu caso) podem estar na disposição de aceitar a conversão desse tempo numa
bonificação da contagem do tempo para a reforma; alguns (como é o caso dos
colegas da ILC) podem acreditar mais em iniciativas diferentes das
tradicionais, mas… todos — estou plenamente convicto — queremos basicamente o
mesmo: aquilo que é nosso, por direito. Portanto, não compreendo por que razão
estamos tão desmobilizados, tão divididos e tão fundamentalistas na defesa dos
estandartes que decidimos erguer.
É
normal termos opiniões divergentes relativamente à municipalização, à
flexibilidade, ao fim das retenções, ao regime de gestão… mas é absolutamente,
tristemente, desoladoramente incompreensível que estejamos tão divididos, tão
alheados e tão indiferentes numa causa como esta, que a todos interessa, que
todos prejudica de forma tão contundente. Se uma causa tão justa não nos
mobilizou a todos, se uma causa tão aglutinadora não levou a Lisboa o CORPO
INTEIRO, então…
Às
petições e às iniciativas legislativas, respondemos com a nossa assinatura. É
assim que formalizamos a nossa concordância e o nosso envolvimento ativo.
Ninguém nos pede, nem nos exige, militância propagandística. É do número de
assinaturas que vivem essa vias da cidadania ativa. Às manifestações,
respondemos não com assinaturas nem com palavras de apoio, mas com a nossa
presença. É do número de manifestantes que vivem as manifestações. Não ir a uma
manifestação é como não subscrever (preto no branco) um abaixo-assinado, é como
não assinar uma petição ou uma iniciativa legislativa. Se todos assim
procedêssemos, ficariam os nossos representantes sindicais a gritar palavras de
ordem para os agentes policiais de serviço à debandada. Aos olhos de todos — os
de dentro e os de fora — o corpo de uma manifestação representa a dimensão do
descontentamento e do caráter de quem decidiu erguer-se para reclamar os seus
direitos sonegados.
Coerente
com o que disse nos parágrafos precedentes, reconheço à dita blogosfera docente
— refiro-me à mais frequentada, àquela que mais influência granjeou no nosso
universo profissional — o direito de não se ter empenhado mais ativamente na
promoção da manifestação convocada para o dia de ontem, quedando-se por algumas
notas de circunstância. No entanto, constato com pesar que proliferam agora as
notícias sobre a escassa cobertura mediática do evento. Como podemos nós censurar
a comunicação social por não dar à manifestação de professores a importância
que nós próprios, os mais interessados, não soubemos dar, de forma arrasadora?
Reservo
as últimas linhas para os devidos agradecimentos aos sindicatos, por se terem
unido nesta causa, uma manifestação que foi um exemplo de civismo, de
convivialidade e de organização. Aos muitos milhares de colegas que, com os sacrifícios
que todos conhecem, percorreram o país para serem células do gigantesco corpo
que se formou, do Marquês ao Rossio, para defenderem também os interesses dos
que optaram pela indiferença ou pelo comodismo, o meu cingido abraço, O MEU
COMOVIDO ORGULHO!

Guerreamo-nos uns aos outros com conivência de poderes instalados. Não vamos contribuir mais que o nevoeiro nos dívida. Falta a consequência do esforço de todos com a continuação da luta ainda este ano letivo.
ResponderEliminarTens toda a razão, Duilio. Todavia, o nosso problema não está no facto de termos opiniões diferentes (o pluralismo e a divergência são saudáveis), o nosso problema é não sermos militantes disciplinados nos momentos em que somos chamados para a luta, seja na forma de um abaixo-assinado, seja na forma de uma greve, seja na forma de uma manifestação... É nesses momentos fulcrais que temos de saber dizer "Presente!".
ResponderEliminarTotalmente de acordo parabéns pelo texto. Como é que é possível só 50000 mil (pouco mais de 1/3 de professores) na manifestação? Será que 2/3 dos professores acha isto justo? E já agora que os sindicatos prolonguem os acertos até 2023...Nós quando não pagamos no prazo,levamos logo multa! Eles nem multa, nem juros...nem o que devem...
ResponderEliminarMuito obrigado pelas palavras de apreço! Foi uma manifestação muito significativa, mas também é verdade que havia condições para ser demolidora. Enquanto classe docente, devíamos também neste campo ser exemplo.
EliminarOlha, o teu texto deixou-me comovida. Tens toda a razão. E levo-o, ok?
ResponderEliminarMuito obrigado pelas palavras e pela partilha do texto, Anabela!
EliminarQuer-se dizer... levaria se o conseguisse copiar... :(
ResponderEliminarContigo, sempre farei discriminação positiva. O texto já mora na tua caixa de correio eletrónico.
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