terça-feira, 24 de abril de 2018

Ermo: filhos de Abril nos Globos de Ouro


Capa do álbum "Vem por aqui".

O ano de 2107 foi especialmente feliz para os Ermo. Da aposta da Valentim de Carvalho à consagração da qualidade da sua música pela Blitz, que considerou “Lo-fi Moda” como o melhor álbum do ano, foi uma vertigem. Agora, chegou a boa-nova da nomeação para os Globos de Ouro, na categoria de melhor grupo musical. Está muito orgulhoso este lobo (pai), como é natural!
Os Ermo são dois jovens bracarenses — António Costa e Bernardo Barbosa — que têm trepado a pulso a íngreme montanha da carreira musical, facto que, só por si, seria já merecedor da minha maior admiração. Todavia, há outros pilares a sustentar esse meu sentimento: gosto do seu insaciável cunho inovador, da sua irreverente criatividade, do poder das suas palavras, ora serenas ora perturbadoras, criteriosamente eleitas e bem enraizadas nas causas atuais; mas também os admiro (muito) por não terem cedido ao caminho mais fácil, aquele que conduz ao reino do mais vendável, do máximo lucro; admiro-os por terem escolhido os espinhosos trilhos da diferença, da rutura, da genuinidade, do risco… Enfim, da verdadeira arte.
Para mim, os Ermo já ganharam. Parece que foi ontem o dia em que o meu filho, do nada, apareceu em casa com o primeiro tema — “Montalegre” — saído de uma garagem onde, pensava eu, ele e o seu amigo estariam apenas a ocupar o tempo veranil de forma sossegada, segura e enriquecedora. E… subitamente… já fazem parte desta prestigiada consagração. É, sem dúvida, prémio glorioso para quem “nasceu do chão”.

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