quarta-feira, 11 de abril de 2018

Encantamento




Fundeei naquele tempo… naquele dia… naquela hora derradeira. E esse fragmento de tempo deslumbrado fez-se em mim cristal de sempre, eternamente ancorado naquele hiato de vida. Moro, algures, nesse primeiro momento, que em mim é sempre agora, uma hora eternamente repetida.
Lá fora, era frio e nada. Todo o mundo morrera na dureza da soleira da entrada. Dentro, o salão era um volumoso ventre, grávido de gente parolando entre volteios de vapor e odores de aninho quente. Rumores: brisas que, lentamente, foram definhando, acabando por esvaecer nas orlas do silêncio esquecido. Gente: sombras que as cortinas da luz serena foram envolvendo e dissipando nas quietas funduras das retinas. O espaço ficou suspenso, e o tempo também.
Subitamente, o mundo era apenas eu e tu. Depois, pouco depois… só tu. E todo o universo se reuniu nos teus olhos, infindo mar sideral onde, à deriva, naveguei. Entreguei a minha vida sem sextante e... naufraguei, sem remissão, no teu olhar!
Não sou nem sei de mim desde esse instante!

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