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Filhos, e servos, de uma nação pobre, os professores deste país têm sido, ao longo do
tempo, em parte, remunerados com tempo. Só que o tempo é… uma moeda facilmente
manipulável. Desvaloriza sob o nosso olhar como chuva de borrasca que,
subitamente, se dissipa.
É
precisamente de tempo que é feito o miolo da nossa luta mais premente:
recuperar nove anos, quatro meses e dois dias que desaparecerem na cartola do
Poder. E não é um tempo subjetivo, psicológico, ou um tempo desenhado no calor
de uma promessa. Não, é tempo efetivamente consumido, efetivamente trabalhado,
efetivamente sofrido… tempo que, efetivamente, não pode ser esquecido,
sonegado… roubado.
Quero
ir a Lisboa reclamar o que é nosso, por direito. Mas quero ir à Capital com um
propósito, um “senão” bem definido, caso a resposta ao nosso clamor seja,
novamente, o silêncio ou a impostura. Quero saber, antes, esse depois: o que
faremos, se a resposta de quem nos quer usurpar for a mais espectável? É esse,
só esse, o preço da minha viagem para Lisboa.
Os
sindicatos acenam com uma greve às avaliações. Desde que seja, realmente, para
levar ATÉ ÀS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS, contem comigo: com o meu corpo, com a minha
alma e com a minha “armapena”. Todavia… o passado recente diz-me que não há
legumes suficientes para tamanha empresa. Espero estar enganado!
Enquanto
tudo isto germina, precisamente nos ventres do tempo, deixo aqui uma ideia à
vossa consideração: vamos rejeitar pagamentos em tempo, essa traiçoeira moeda
que só tem valor em setembro, no momento em que recebemos o horário, antes de
começarmos a lecionar. Uma vez que a Tutela tem agido, sistematicamente, de
má-fé, de forma insidiosa, com uma atitude exploradora, chegando ao cúmulo de
contar em minutos o horário de quem trabalha a tempo inteiro, de quem anda com
a profissão as costas… então recusemos esse sal com que nos pagam, deixemos, de
uma vez por todas, de aceitar essa remuneração subjetiva, esse logro, como
pagamento. É SEMPRE UM PRESENTE ENVENENADO.
Proponho
que os sindicatos — caso esta nossa luta imediata choque contra a
intransigência do Governo — abram imediatamente (sem deporem o estandarte do
tempo “congerroubado”) uma nova frente de combate: exigir que todos os cargos
sejam remunerados, não em tempo, mas em dinheiro. Ponhamos fim a este tempo lorpa,
em que os professores assumem enormes responsabilidades, ficam à mercê de
inúmeras dores de cabeça, e assinam, em branco, cheques de tempo de trabalho
efetivo que ninguém pode calcular e que ninguém quer realmente pagar. Exijamos,
pois, que os cargos de direção de turma, de coordenação disto e daquilo… sejam
pagos de forma digna, coisa que o tempo, enquanto moeda de troca, está visto
que não consegue fazer, porque se presta a muitos e descarados roubos. E a indignidade
é tanta, que os professores nem sequer podem recusar certos cargos, ou seja,
não podem evitar que a entidade patronal, com uma mão, lhes imponha uma parcela
de tempo para desempenharem uma função irrecusável, que exigirá muito mais
tempo, tempo perdido no tempo, tempo de subjugada exploração.
Respondamos
ao poder político no merecido tom, dancemos esse tango fatal. Encetemos, sem
frouxidão, lutas sérias, até ao fim. Vou a Lisboa, a todas as Lisboas, se for
assim.

Admiro a tua resiliência! Eu já (quase) desisti de acreditar! Quem sabe, um encontro em maio em lisboa?
ResponderEliminarhttps://duilios.wordpress.com/2018/04/16/como-preparar-as-massas-e-necessario-mais-de-um-mes-de-antecedencia/
Talvez, Duilio!
ResponderEliminarObrigado pela partilha!