domingo, 29 de abril de 2018

Salve-se quem puder!




Como já devem ter percebido, não me tem apetecido mesmo nada escrever sobre educação, ensino, escola pública, professores... Na verdade, tenho o olhar bêbado de confrangimento. Dizê-lo, seria… acrescentar ainda mais desolação a este quadro já de si tão triste.
 Dez anos entre a atalaia e as trincheiras, dez anos de olhos postos, a tempo inteiro, na caligrafia do eletrocardiograma docente… e jamais me doeram as retinas como agora. Tanta divisão, tanto medo, tanto isolamento, tanta fragilidade, tanta insegurança… tanta perdição! Acho que a classe tem a autoestima no fundo, naquele lugar escuro da nossa alma onde germinam a fé desesperada, as crenças aéreas… a fome extrema de um afago redentor… os anseios messiânicos... Nunca senti a classe tão carente! Não, nunca senti!
O oponente tornou-se muito mais subtil, mais sub-reptício, mais invisível, mais… leucémico. A gigantesca sala de reunião está agora povoada de vírus que os anticorpos não reconhecem como intrusos, como invasores, como cancerígenos. E o resultado é, infelizmente, o que se vê: padecemos de imunodeficiência adquirida. Somos um corpo que se autoanula, que se autofragmenta, que se autodestrói…
Diz-me o meu olhar alucinado que estamos no limiar de um novo tempo, o tempo em que ninguém pode confiar em ninguém, um tempo inquieto, de sobressalto permanente; o tempo dos egoísmos exacerbados, o tempo de uma cega, desenfreada e apaixonada antropofagia profissional. Perdoem-me a dureza das palavras, mas… é mesmo isto que os meus olhos veem!

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Mágoas mil




"Ó musa, minha cúmplice, ó minha irmã d’exílio”, vem blindar o meu sonho de Abril!
Quase todos depuseram a alma, musa minha, quase todos se renderam, quase todos se calaram, se vergaram, obedeceram… Quase todos, agora, querem o meu desterro; longe da sua farta marmita, do seu precioso chão, a minha contagiosa lepra, a minha perigosa palavra incontrita. Quase todos querem o enterro da minha aura maldita.
É a hora! Ó musa, minha confidente, ó minha solidão, vem, sem demora, beijar-me Abril no coração! Vem salvar-me deste bafo doente.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Ermo: filhos de Abril nos Globos de Ouro


Capa do álbum "Vem por aqui".

O ano de 2107 foi especialmente feliz para os Ermo. Da aposta da Valentim de Carvalho à consagração da qualidade da sua música pela Blitz, que considerou “Lo-fi Moda” como o melhor álbum do ano, foi uma vertigem. Agora, chegou a boa-nova da nomeação para os Globos de Ouro, na categoria de melhor grupo musical. Está muito orgulhoso este lobo (pai), como é natural!
Os Ermo são dois jovens bracarenses — António Costa e Bernardo Barbosa — que têm trepado a pulso a íngreme montanha da carreira musical, facto que, só por si, seria já merecedor da minha maior admiração. Todavia, há outros pilares a sustentar esse meu sentimento: gosto do seu insaciável cunho inovador, da sua irreverente criatividade, do poder das suas palavras, ora serenas ora perturbadoras, criteriosamente eleitas e bem enraizadas nas causas atuais; mas também os admiro (muito) por não terem cedido ao caminho mais fácil, aquele que conduz ao reino do mais vendável, do máximo lucro; admiro-os por terem escolhido os espinhosos trilhos da diferença, da rutura, da genuinidade, do risco… Enfim, da verdadeira arte.
Para mim, os Ermo já ganharam. Parece que foi ontem o dia em que o meu filho, do nada, apareceu em casa com o primeiro tema — “Montalegre” — saído de uma garagem onde, pensava eu, ele e o seu amigo estariam apenas a ocupar o tempo veranil de forma sossegada, segura e enriquecedora. E… subitamente… já fazem parte desta prestigiada consagração. É, sem dúvida, prémio glorioso para quem “nasceu do chão”.

sábado, 21 de abril de 2018

O meu doentio jogo de espelhos




Uma década de resistência, a tempo (quase) inteiro, deixa sempre muitas marcas. É inevitável. No meu caso, desenvolveu-se-me uma paranoia tão grande e tão completa, que já é ela que vê por mim. Portanto, caros leitores, não confundam com a realidade o que vão ler nos parágrafos seguintes. São alucinações minhas.
Com tamanha paranoia, ninguém estranhará (nem eu próprio) que a blogosfera docente se me afigure, presentemente, como um autêntico jogo de espelhos. É, para mim, extremamente difícil discernir com alguma lucidez, ainda que mínima. Até me parece que nada é o que parece (passo o pleonasmo). Depois… vejo coisas que mais ninguém vê. Está na cara que o vesgo sou eu. Paciência!  
Sinceramente (sinceridade doentia, pois claro), já não sei distinguir quem põe, realmente, a causa da Escola Pública e da classe docente acima das suas ambições, dos seus interesses pessoais, da sua notoriedadezinha, do seu protagonismo, da sua razão… Vejo pouca gente capaz de saber arriscar e de perder, em prol de um bem maior do que o seu. Parece-me (PARECE-ME) que, em muitos cérebros, pesa muito mais o ganho de provar que tiveram e têm razão do que o verdadeiro benefício coletivo. Talvez porque, na verdade, seja mesmo esse o primeiríssimo estandarte da sua luta (ainda que inconsciente). Na hora H, esses cérebros ficam na tribuna a exibir os interstícios da sua orgulhosa razão e a apontar incoerências, insuficiências e incompetências (frequentemente, às únicas organizações que nos podem defender, mal ou bem). Desnudá-las na praça pública (com o custo do enfraquecimento ou anulação do nosso protesto) é um imperativo que a razão, egocentricamente, lhes impõe.
Caso algo diferente (para muito pior) é o de quem, realmente (na minha paranoia, claro), anda a fazer jogo duplo. Na verdade, trata-se gente que serve um Senhor, mas que quer parecer servir todos os senhores e todas as senhoras, todos os meninos e meninas da grandiosa roda do ensino. Quando apertados, esses cavaleiros das concórdias transformam-se em paladinos da luta da classe, e até mandam uns "bitaites" contra quem realmente servem (areia). E a prole, crente e confiante, vai toda atrás. Depois, aos pouquinhos, com habilidade, deixam serenar as coisas e conduzem o rebanho para onde querem (na minha disfunção visual, claro!).
Quando, no fim de uma conversa “esquisita”, fico sem saber o que o meu interlocutor realmente pretendia transmitir-me — ou porque foi muito sinuoso ou demasiado hermético para a minha pequena ervilha cerebral — eu faço, por norma, a decantação do colóquio. Uma vez que não descodifiquei a teia de mensagens, procuro um significado naquilo que essa pessoa me fez sentir: inveja, incapacidade, culpa, vergonha, inferioridade… De seguida, com mais ou menos tempo de ignição, é costume as palavras ficarem mais iluminadas.
É este método que recomendo aos meus leitores. Neste autêntico labirinto de espelhos, onde é extremamente difícil (mesmo para quem tem olho clínico) distinguir quem é quem, usem o método deste paranoico incurável: desviem o olhar das teias discursivas (autênticas sucatas de palavras) e foquem as retinas nos resultados; avaliem os arautos e os paladinos, não pelo que dizem, mas pelo que fazem realmente, quando chega a hora H. Onde estão? Apelam ao levantamento, fecham-se no silêncio, quando toca a reunir, ou falam do sexo dos anjos? As suas palavras e as suas iniciativas (ainda que deslumbrantes) unem ou desunem? Dão força, ou enfraquecem a nossa luta? Apelam realmente ao levantamento, à indignação, à firme ação reivindicativa, ou geram em nós uma lenta, mas progressiva, noção de inevitabilidade, de irreversibilidade, de acomodação, de resignação… de verdadeira rendição?
E “prontes”, já estou novamente a ver elfos, duendes, sereias, minotauros, unicórnios… Olha ali um moinho que é um castelo de fadas...!

Já tenho o cavalo aparelhado




Vem aí, uma vez mais, “o meu concurso”. O meu fado é… o nomadismo autoimposto. Acho que, doravante, estou condenado a só ficar onde e até quando for obrigado a tal. Talvez já não haja um genuíno lugar para mim no ensino (neste ensino, no seu sentido mais genérico).
Podia estar perfeitamente acomodado, amordaçar a minha voz e… “ser feliz”. Mas teria de voltar a nascer, com outros genes (não sendo eu). Espero, pois, pelo determinismo das vagas para lançar as minhas cartas.
Já “chorei”, muitas vezes, os alunos que deixei na última escola onde estive. Talvez, no futuro, reviva essa experiência, mas… creio não ter outro remédio. É esta uma das muitas partes do preço das palavras aladas. Este é um dos rostos da minha sina: expor-me por todos e sofrer as consequências sozinho!

PS – Mais logo, ao morrer do dia, o prometido artigo (que ontem não pude mesmo escrever).

quinta-feira, 19 de abril de 2018

O que mais me dói





O que mais me dói, neste momento? Os olhos. Ver um córrego a encorpar-se de corrosiva divisão, que ganha ímpeto nas descendentes encostas da montanha e... perceber que de nada adiantará uivar, porque a surdez e a cegueira tomaram conta do povoado, que vai ser arrastado pela torrente.
Amanhã desenvolvo, sem poesia, nua e friamente.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Do antissenexismo


A caravana do discurso sobre os malefícios do envelhecimento da classe docente vai cheia. É um corso muito heterogéneo, que integra muita gente isenta, bem-intencionada, mas também conta com muitos mal-intencionados, gente com segundos e terceiros propósitos, que procura surfar essa onda para atingir outros fins: atiçar o “antissenexismo” (fabriquei a palavra) contra a classe docente.
É um facto que a classe docente está a envelhecer, como… estão a envelhecer outras classes e grupos profissionais, como está a envelhecer a população portuguesa em geral. Para além da fraca natalidade (que não se reflete apenas nos alunos) ainda há que contar com finanças fracas e com o aumento progressivo da idade da reforma, algo que é transversal a todas as profissões. Porquê, então, tanta ênfase no discurso sobre envelhecimento dos professores e tanta perpetuação do tema, que, ciclicamente, volta à ribalta?
Muitos professores fazem eco deste filão mediático, acreditando estar chamar a atenção para a necessidade urgente de renovação do corpo docente. Embora estejam conscientes de que tudo isso, a curto prazo, é uma miragem, fazem-no como quem lança uma garrafa ao mar. Compreendo. É o grupo bem-intencionado deste imenso cortejo. Porém, mais não fazem do que dar corpo e força à minoria insidiosa, que pretende, por esta via (alvejando os “mais velhos”), atingir os professores em geral. Por que estandarte pugnam, então, estes franco-atiradores?  
Nesta animada caravana do discurso sobre os malefícios do envelhecimento da classe docente, à boleia de muitos ingénuos, fazem festa aqueles que, aleivosamente, pretendem continuar a lançar anátemas sobre os professores, aqueles que pretendem reduzir a Escola Pública a uma espécie de serviços mínimos de educação e instrução, a custo mínimo e com máximo sucesso administrativo. À boleia desse discurso, fomenta-se o “antissenexismo” contra os professores. É uma cinzenta teia de desfavores: o envelhecimento da classe surge associado às baixas médicas, à resistência à mudança, a métodos de ensino ultrapassados, a uma escola retrógrada, à desmotivação dos alunos, ao insucesso… Enfim, subjacente a todo este pérfido discurso, está a culpabilização implícita dos professores mais velhos por muitos dos males de que — dizem — a Escola Pública sofre. É uma infâmia, é um crime contra todo um grupo profissional. Trata-se de uma infâmia, porque é uma gigantesca mentira, um inominável logro.
Sei que os apóstolos do século XXI sonham com um oásis povoado de professores novinhos, muito precários, muito amarrados e condicionados, muito dependentes, muito obedientes… para manipularem, a seu bel-prazer, em absoluto, a forma e o conteúdo da educação e do ensino; sei que sonham com um corpo de aplicadores de conteúdos, executores reduzidos ao grau zero da docência. É caso para dizer, com alguma ironia: ainda bem que que as finanças vão mal!
É este o corrosivo corso do discurso sobre os malefícios do envelhecimento da classe docente. Só quem é muito ingénuo e quem não percebe absolutamente nada de educação é que se junta a esta procissão de vozes promovida pelos mais acérrimos inimigos da Escola Pública.


PS - Alterei para "antissenexismo" o neologismo criado, por entender que esta é a forma mais adequada ao conceito que pretendo transmitir.


sábado, 14 de abril de 2018

Um beijo teu




Ontem foi o Dia do Beijo. Falemos então de beijos, hoje.
O poema visual que a imagem oferece é já um “clássico” nos meus blogues. No entanto, desta vez, decidi acrescentar-lhe umas simplicíssimas pinceladas de cor (para que não digam que ando a repetir-me).  

Ouro e azul
Arco multicor
Pétalas de flor
Em frenesim
Subindo aos céus

Foi assim
Quando em sonhos
Os meus lábios tocaram os teus

A má moeda do tempo


Imagem retirada daqui

Filhos, e servos, de uma nação pobre, os professores deste país têm sido, ao longo do tempo, em parte, remunerados com tempo. Só que o tempo é… uma moeda facilmente manipulável. Desvaloriza sob o nosso olhar como chuva de borrasca que, subitamente, se dissipa.
É precisamente de tempo que é feito o miolo da nossa luta mais premente: recuperar nove anos, quatro meses e dois dias que desaparecerem na cartola do Poder. E não é um tempo subjetivo, psicológico, ou um tempo desenhado no calor de uma promessa. Não, é tempo efetivamente consumido, efetivamente trabalhado, efetivamente sofrido… tempo que, efetivamente, não pode ser esquecido, sonegado… roubado.
Quero ir a Lisboa reclamar o que é nosso, por direito. Mas quero ir à Capital com um propósito, um “senão” bem definido, caso a resposta ao nosso clamor seja, novamente, o silêncio ou a impostura. Quero saber, antes, esse depois: o que faremos, se a resposta de quem nos quer usurpar for a mais espectável? É esse, só esse, o preço da minha viagem para Lisboa.
Os sindicatos acenam com uma greve às avaliações. Desde que seja, realmente, para levar ATÉ ÀS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS, contem comigo: com o meu corpo, com a minha alma e com a minha “armapena”. Todavia… o passado recente diz-me que não há legumes suficientes para tamanha empresa. Espero estar enganado!
Enquanto tudo isto germina, precisamente nos ventres do tempo, deixo aqui uma ideia à vossa consideração: vamos rejeitar pagamentos em tempo, essa traiçoeira moeda que só tem valor em setembro, no momento em que recebemos o horário, antes de começarmos a lecionar. Uma vez que a Tutela tem agido, sistematicamente, de má-fé, de forma insidiosa, com uma atitude exploradora, chegando ao cúmulo de contar em minutos o horário de quem trabalha a tempo inteiro, de quem anda com a profissão as costas… então recusemos esse sal com que nos pagam, deixemos, de uma vez por todas, de aceitar essa remuneração subjetiva, esse logro, como pagamento. É SEMPRE UM PRESENTE ENVENENADO.
Proponho que os sindicatos — caso esta nossa luta imediata choque contra a intransigência do Governo — abram imediatamente (sem deporem o estandarte do tempo “congerroubado”) uma nova frente de combate: exigir que todos os cargos sejam remunerados, não em tempo, mas em dinheiro. Ponhamos fim a este tempo lorpa, em que os professores assumem enormes responsabilidades, ficam à mercê de inúmeras dores de cabeça, e assinam, em branco, cheques de tempo de trabalho efetivo que ninguém pode calcular e que ninguém quer realmente pagar. Exijamos, pois, que os cargos de direção de turma, de coordenação disto e daquilo… sejam pagos de forma digna, coisa que o tempo, enquanto moeda de troca, está visto que não consegue fazer, porque se presta a muitos e descarados roubos. E a indignidade é tanta, que os professores nem sequer podem recusar certos cargos, ou seja, não podem evitar que a entidade patronal, com uma mão, lhes imponha uma parcela de tempo para desempenharem uma função irrecusável, que exigirá muito mais tempo, tempo perdido no tempo, tempo de subjugada exploração.
Respondamos ao poder político no merecido tom, dancemos esse tango fatal. Encetemos, sem frouxidão, lutas sérias, até ao fim. Vou a Lisboa, a todas as Lisboas, se for assim.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Encantamento




Fundeei naquele tempo… naquele dia… naquela hora derradeira. E esse fragmento de tempo deslumbrado fez-se em mim cristal de sempre, eternamente ancorado naquele hiato de vida. Moro, algures, nesse primeiro momento, que em mim é sempre agora, uma hora eternamente repetida.
Lá fora, era frio e nada. Todo o mundo morrera na dureza da soleira da entrada. Dentro, o salão era um volumoso ventre, grávido de gente parolando entre volteios de vapor e odores de aninho quente. Rumores: brisas que, lentamente, foram definhando, acabando por esvaecer nas orlas do silêncio esquecido. Gente: sombras que as cortinas da luz serena foram envolvendo e dissipando nas quietas funduras das retinas. O espaço ficou suspenso, e o tempo também.
Subitamente, o mundo era apenas eu e tu. Depois, pouco depois… só tu. E todo o universo se reuniu nos teus olhos, infindo mar sideral onde, à deriva, naveguei. Entreguei a minha vida sem sextante e... naufraguei, sem remissão, no teu olhar!
Não sou nem sei de mim desde esse instante!

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Manife a 13 de maio


Imagem retirada daqui.


Uma vez mais, os sindicatos atiraram ao lado. Mas, desta vez, no meu entender, o falhanço foi maior, uma vez que não acertaram em nenhuma das coordenadas: nem no espaço nem no tempo. Todavia, o último tiro (o do tempo) deixou penas. Foi resvés Campo de Ourique, mas parece-me… fatal.
Sinceramente, uma manife em Lisboa, no Marquês, é já um “arcaísmo”. Depois… a 19 de maio, um sábado… a expelir palavras de ordem dirigidas “a gente surda e endurecida”…  não me cheira. Parece-me, a esta distância, uma ação desprovida de esperança, mais uma gigantesca petição in praesentia do que a alegoria de uma obstinada e inexorável exigência. Catarse.
Ora… “catarse por catar-se”… mais valia fazer a concentração e a manife seis dias antes, a 13 de maio, na cova da Iria: domingo, dia do Senhor, efeméride de muita esperança e de mais fé ainda, data propícia a milagres, recinto apinhado, a ouvir fado "ó p'ra lá", a ouvir futebol "ó p'ra cá"… Por outro lado, porquê pedir a ministros e a secretários de pau carunchoso, se podemos implorar diretamente a santas verdadeiras ou ao Todo-Poderoso? Além disso, seria a primeira manife verdadeiramente descentralizada, a vários títulos. Que pena!
A 13 de maio, eu iria. Assim… ainda vou ver se “errei”. Entretanto, aqui fica um pensamento protoescatológico: errar no tempo quando é tempo o que se pretende reclamar não é lá muito bom augúrio! Aguardo, pois, as condições, os ultimatos… essas coisas que podemos impor aos homens, mas jamais a Deus.

domingo, 8 de abril de 2018

Promovido a Manuel GT




O kit de embraiagem fez-se um pouco mais rogado do que o previsto (por mim). Coisas da quadra pascal. Mas lá chegou, na quinta-feira, facto que me levou a alargar o “raio de ação”.
Como estava com as mãos na massa e o tempo se me oferecia, decidi fazer uma limpeza geral à área da maquinaria. Quando a encomenda chegou, tinha já a faxina terminada. Foi uma excelente opção, porque, mais tarde, me sujei muito menos. Mas nem tudo correu às mil maravilhas: parafusos “colados” e uma opção “preguiçosa” que me roubou algum tempo e me obrigou a puxar pelo cabedal. Aprendi a desencravar parafusos (ótima aprendizagem) e percebi que é muito mais fácil recolocar a caixa de velocidades, se for também removido o veio de transmissão do lado direito. É fácil de retirar e torna tudo muito mais souple. Depois das esforçadas e inúteis tentativas (com aquele empecilho a estorvar à grande e à francesa), a conclusão foi… mais ou menos canja. As mudanças entram agora como manteiga. A minha perna esquerda vai ficar-me grata para a vida. No entanto, amanhã ainda não vou poder levar o meu bichinho para a escola, devido a um pequeno dano colateral: parti um pequeno conector elétrico, peça de custo irrisório, mas suficientemente importante para me impedir de usar o coche (não vão os cavalos apanhar um choque valente e sair por aí aos pinotes). Durante o dia, dou um salto até à Citroën e… na terça, se o C5 quiser, já poderemos ir dar uma volta: matar saudades do asfalto, das retas livres, das curvas bem desenhadas, dos viadutos altaneiros… Enfim, cavalgar por aí. Talvez até o leve, um dia destes, a ver os aviões. Sei que ele, no seu inconfessável íntimo, gostaria de ser uma aeronave, para poder beber o espaço sideral. Pois é… mas vai ter de se contentar com a contemplação. E é um pau. Coisa muito humana, ao fim e ao cabo.



Resumindo e concluindo: poupei várias centenas de euros com esta brincadeira. Além disso, passei ao nível seguinte na minha autoformação em mecânica automóvel. Já faço, há mais de vinte anos, a manutenção dos carros que dormem debaixo de meu teto, porém nunca me tinha aventurado na “artilharia pesada”. Não foi fácil, mas creio que consegui ser promovido a Manuel GT.

PS – Amanhã recoloco o chip da Educação.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Estou em modo Estique Lapice



Um dos meus múltiplos hobbies é a mecânica automóvel. Gosto de fazer de Estique Lapice nos meus tempos livres. Por vezes, é o próprio destino (tão meu amigo!) que decide por mim, e dá-me um ou vários dias de puro… trabalho (e deleite). É o que está a acontecer presentemente, nesta cinzenta quadra pascal.
 Graças a uma oportuna avaria do meu mui estimado coche, estou confinado ao recato do meu lar (coisa que já tencionava fazer, por vários motivos). Mas o bichinho decidiu esmerar-se na estima que tem por mim: aguentou quanto pôde e só avariou mesmo no final do período. Quem gosta muito do dono, quem e?!


Avisou-me à saída de Mirandela. Aguentei-o em quarta até Braga e ajudei-o a milagrar até casa, levando-o a aceitar a segunda (com muito esforço) e a marcha atrás, para entrar na garagem (já à sobreposse). Agora… estou a operá-lo. Está todo esventrado: precisa de um kit de embraiagem novo. É o que tenho estado a fazer. Já desmontei todo o módulo da roda, removi o veio de transmissão e a caixa de velocidades, que também já limpei. Falta-me retirar o prato e o disco de embraiagem. Se não tiver surpresas negativas, estará tudo pronto (o terreno preparado) quando as peças chegarem à minha casinha, vindas do "reino" de Angela Merkel. Depois… logo se vê se o meu “bólide” volta à estrada pelo próprio pé. Podem começar a fazer figas! 
Podia publicar fotografias de bons pratos em restaurantes catitas, mas… a minha religião não me permite. Quando o “cérebro pedagógico” está de pousio, prefiro saciar as mãos.