sexta-feira, 16 de março de 2018

Eles disseram silêncio




Eles disseram silêncio. E esse silêncio irmanou indistintamente. Sob o seu manto inerte, estiveram todos, e todos o silêncio amalgamou: os que sentei na galeria dos bons, os que sentei na galeria dos audazes, os que sentei na galeria dos independentes, os resistentes, os vendidos, os calculistas, os individualistas, os prepotentes, os castradores… Por estes dias, o silêncio a todos abraçou.
Não fosse o meu cérebro lupino — todo ele feito de instinto e coração — e ter-me-ia sentido um bandeirante idiota, agitando um estandarte esfarrapado, de um tempo deserdado, de um exército eternamente derrotado por maldição. Não fosse o meu cérebro selvagem — todo ele feito de instinto e coração — e ter-me-ia sentido um patriota apólida, defendendo um velho território desertado. Não fosse o meu cérebro lupino — todo ele feito de instinto e coração — e ter-me-ia sentido alma penada num purgatório agrilhoado. Não fosse meu cérebro lupino… e eu ter-me-ia sentido um jacobino sem revolução.
Eles disseram silêncio, e o seu silêncio foi apenas negridão.

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