quinta-feira, 15 de março de 2018

Amanhã... a pronúncia do Norte



Amanhã, no seu último dia, a greve chega ao Norte. Não sei se foi seguido algum critério ou se se tratou de mera casualidade, sei apenas (e é quanto basta) que quis “o destino” que esta ação de luta terminasse para cá do Douro e do Marão, onde “mandam os que cá estão”.
Diz o povo — e com razão — que tudo está bem quando acaba bem. Seria, pois, excelente, para o impacto mediático, que a Gente do Norte encerrasse com chave “D’ouro” esta greve. Não podemos queixar-nos do dia marcado, porque (digam o que disserem) não poderia ser melhor. Também não poderemos queixar-nos da falta de um verdadeiro motivo, visto que, infelizmente, NÃO PODERIA SER PIOR. Podemos, é certo, ter uma ou outra reserva relativamente a estratégias, suposições, cansaços e desgastes, supostas instrumentalizações… mas nada disso, neste momento, é mais importante nem mais relevante para todos nós do que uma demonstração inequívoca da nossa disciplina, da nossa união e da nossa força. Mais certo do que tudo isto (e indesmentível) é o prolongado esbulho de que temos sido alvo, por parte de quem (des)manda; mais certa do que todas estas dúvidas e incertezas é a certeza de termos sido, sobretudo ao longo destes anos que nos pretendem sonegar, uma classe desautorizada, culpabilizada, humilhada, rebaixada… barbaramente violentada e explorada.
Colegas, os nove anos, quatro meses e dois dias que nos pretendem apagar não representam um tempo qualquer, um tempo normal, mas o pior período da nossa carreira, cerca de três mil e quatrocentas páginas de um diário que conta a noite mais longa e mais negra da História do Ensino em Portugal, uma noite cujo fim ainda tarda. Em honra dessa dorida negridão, mostremos orgulho, mostremos dignidade, FAÇAMOS LUTO AMANHÃ!


PS – Um abraço alado aos colegas dos Açores, que amanhã partilharão connosco esta gigantesca frente.

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