Inerte
sobre um dos peitos da montanha. Diante de mim, lá ao fundo, a imensa seara
abandonada parece um instante capturado de um mar revolto. Paradoxo visual: o
relevo amorfo de uma medonha agitação jazendo sob um plácido manto de quietude
sepulcral. Morrem-me as retinas no prenúncio crepuscular!
Tantas
vezes calcorreei estas encostas! Tantas vezes deixei pele na rude aspereza das
escarpas frias! Tantas vezes tive de comer a terra deste chão íngreme para ir suster
as ventanias, desviar as pragas, afugentar os abutres que pairavam sobre o meu mar
de oiro aveludado! Tantas vezes caí! Tantas vezes acabei só! Tantas vezes abandonado!
Tantas vezes enganado! E sempre me reergui! Eterno nascituro do tempo, sempre
me reinventei, sempre me multipliquei, sempre me fiz ironia do meu próprio fado!
Mas
todo o sempre de um simples ser humano tem um fim. O meu não sei se aconteceu na
última descida aflita ao meu sacrário ameaçado. Sei apenas que, agora, estou
aqui, novamente só, estranhamente estatuado defronte do rosto exangue da minha
seara sem vida, praça da razão, que me avassala. Porém, o meu coração — menino em rejeição — ainda me suplica veementemente que vá salvá-la!

O sonho comanda a vida!
ResponderEliminarhttps://duilios.wordpress.com/2018/02/19/hoje-sonhei/
São tempos de... "desconstrução", Duilio!
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