sábado, 24 de fevereiro de 2018

Professor do século XXI



É uma pena que os nossos governantes só tenham olhos para a Finlândia e não sigam os bons exemplos vindos dos States, de que é sublime exemplo a mais recente ideia de Trump: armar os professores.
Já me estou a imaginar, cheio de garbo e de autoridade, diante dos meus alunos, caladinhos e quietinhos como ratos, a beberem todas as minhas palavras, a seguirem todos e cada um dos meus movimentos… vendo, de vez em quando, o metal dissuasor da pistola a brilhar à contraluz… a coronha sempre presente… a prometer sair do coldre… É claro que arma seria apenas para os intrusos assassinos, mas estaria sempre no ar aquela possibilidade remota de eu me passar dos carretos... E eles haveriam de ter sempre consciência disso… e haveriam de ter muito medinho do mestre… e haveriam de estar sempre atentinhos, nunca a ajavardar as aulas, nunca a mandar boquinhas, nem a olhar para a janela, nem a enviar papeizinhos aos colegas, nem a apertar os malditos cordões das sapatilhas… reprimindo sempre a mais ínfima tentação da insolência… Que paraíso!!!
Uma vez que o nosso fado é imitar o que se faz lá fora, tenhamos pelo menos um critério muito rigoroso nas nossas escolhas, como fizeram os nossos clássicos. Copiemos apenas o melhor. Se o melhor é coboiada, então que seja a melhor das coboiadas.

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