Estou, como é
compreensível, absolutamente desiludido e muito triste com o cenário de
incompreensão e de insulto ontem erigido no Facebook, a propósito de uma
mensagem irónica que publiquei. Lamento profundamente que seja tão numeroso o
grupo daqueles que a interpretaram com tão pobre literalismo e dos que, apesar
de tudo o que tenho dito e feito aqui, neste universo “virtual”, não revelam
nem consideração nem confiança. É desolador!
Nos arrabaldes da greve
do pretérito dia 15 de novembro, escrevi uma carta de exortação, que foi lida
por mais de vinte e sete mil leitores (penso que terão sido, na esmagadora
maioria, professores). Entretanto, foram várias as ações de luta por mim
encetadas, sobretudo em prol dos professores “mais velhos”, grupo ao qual
pertenço, muito honrosamente: lancei ideias, no Facebook, que agregaram milhares de professores , em escassas horas; escrevi aos líderes sindicais e ao
próprio ministro da Educação (para lhe dar a conhecer a ideia da troca do tempo
congelado por uma bonificação na contagem do tempo para a reforma, que tanto
consenso gerou; redigi um texto — algo poético, e precisamente sobre este tema
— que foi, surpreendentemente, lido e “perfilhado” por mais de sete mil
colegas. Enfim, tenho-me exposto e dado de uma forma que,
presumia eu, me resguardaria, pelo menos, dos insultos dos meus colegas. Já não
falo de consideração, nem de gratidão e muito menos de admiração, falo apenas
de respeito. Até chegaram ao ponto de dizer que eu não sei escrever. Se usassem
toda essa acrimónia e tão letal veneno contra quem nos tem desprestigiado,
insultado, humilhado, usurpado, escravizado…
Enfim, talvez a minha
deceção seja tão corrosiva, tão avassaladora e tão galopante que acabe por me
conduzir à revelação da minha real identidade e ao consequente abandono desta
causa. Começo a não ter espaço livre no corpo para tantas feridas fraternas.

Amigo, não conhece a nossa classe ? Somos do pior. Mas por favor não desista. Há muitos, nos quais me incluo, que lhe estão muito grátis. O mal é termos de lutar até contra nós. Um abraço.
ResponderEliminarEstou solidário, até porque já sofri do mesmo mal. Com duas frase, sobre o trabalho em sala de aula ou fora dela e sobre a vontade de sair do sistema já, incómodas mas verdadeiras, fui mal tratado por alguns colegas.
ResponderEliminarPercebo perfeitamente a desilusão do colega. Há uns anos, num grupo de profs. aqui no FB, chamaram-me "drogada" porque coloquei a hipótese de greve de zelo ... tão somente, isto! Somos uns tristes mesmo, e por isso, toda esta nossa espécie de "classe" deve fazer "Mea ´Culpa" desde há décadas, porque a degradação das condições profissionais não é propriamente recente! Qualquer (des)governo agradece o "amochar" constante, nomeadamente às direcções de Escolas e Agrupamentos (talvez na esperança de "migalhinhas" extra)!
ResponderEliminarSE OS DIVERSOS COMENTÁRIOS FEITOS AO COMENTÁRIO IRÓNICO DO QUADRO NEGRO TIVEREM SIDO ESCRITOS POR PROFESSORES... AI, POBRE PORTUGAL, QUE EM TAIS MÃOS COLOCOU A EDUCAÇÃO E ENSINO DAS SUAS CRIANÇAS E JOVENS!
ResponderEliminarSE QUEM MANDA "IMPONTASSE" PARA A REFORMA OS MAIS VELHOS NÃO FARIA MAIS QUE TENTAR HONRAR OS CONTRATOS FEITOS COM ESSES PROFESSORES HÁ MUITOS ANOS ATRÁS... E, LOGICAMENTE, SERIAM OS MAIS NOVOS QUE BENEFICIARIAM POIS TERIAM O TRABALHO QUE MERECEM TER... PROFESORA A.VIEIRA - 60 ANOS DE IDADE E 38 DE SERVIÇO.
O país está reduzido à pequenez das mentes. Não nos diminuamos.
ResponderEliminarA primeira candidata para a reforma, apresenta-se ao serviço ;)
Há por aí tanta gente tão pobre de espírito que até dá dó. E sim, também há professores a tecerem comentários de tal ordem que parece terem feito curso num pasquim qualquer.
ResponderEliminarBoa noite,caro colega.
ResponderEliminarNão li o teu comentário no face porque não tenho página própria, mas costumo espreitar este blogue. Como professora que deseja ardentemente aceder à aposentação - noutros tempos já estaria reformada ou próximo disso - quero deixar-te aqui a minha gratidão pela tua iniciativa de escrever uma carta ao ministério com a tal proposta de conversão dos anos de congelamento em tempo para a reforma.
Há algumas semanas apresentei uma proposta do género a colegas de uma linha sindical, mas parece que não mereceu concordância. Eu propunha prescindir da progressão para o 9º escalão em troca da passagem à aposentação no próximo ano letivo. Como é óbvio, esta opção era isso mesmo, puramente facultativa, ninguém seria obrigado a aceitar. Desconheço a razão que leva os sindicatos a não ponderarem a nossa proposta que, em meu entender, acabaria por nos beneficiar, bem como os alunos (fartos de professores velhos), o erário público, pois seríamos substituídos por colegas mais novos, a ganhar menos e sem reduções, esses tais professores que deste modo conseguiam trabalhar, era uma ajuda ao combate ao desemprego... Enfim, só vislumbro vantagens... E quem não quisesse, a nada era obrigado!
Colega, mais uma vez, grata pela visibilidade que deste a esta ideia e não fiques magoado com os tais comentários, não vale a pena. Talvez não sejam professores, quem sabe? Eu só sei que prestaste um bom serviço a esta nossa classe envelhecida. Bem hajas!