quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Carta aberta aos administradores do Faceprof




Será, imperiosamente, muito sucinta esta missiva, pois apenas quero exprimir o meu profundo pesar pelo modo como geris e moderais o Faceprof: autênticos demiurgos daqueles que pertencem a esse grupo de professores. Mas não é do coletivo docente que vou falar, é apenas de mim e do modo como fui e estou a ser tratado por vós (como um proscrito).
De quantas vidas precisais para dar o que eu já dei à classe? Quem sois vós, para decidir que eu não tenho lugar num grupo docente? Qual de vós tem autoridade moral para decidir que a minha presença e as minhas ideias lesam os interesses dos professores? Quais são os verdadeiros motivos que suportam a vossa não assumida recusa? Aposto que não sois capazes de responder, de forma clara e inequívoca, a nenhuma destas questões.
O vosso silêncio, relativamente ao meu pedido de adesão, faz-me crer (agora) em possibilidades que descartei no passado: que a supressão de uma mensagem que divulguei no dia da greve (15/11), depois devolvida a vitrina cibernética, não terá sido tão automática como então me fizeram acreditar; que a “denúncia” do meu anonimato ao Facebook está relacionada com uma vontade latente de me verem fora desse grupo (não estou a afirmar que foram os administradores do Faceprof que o fizeram, mas apenas que tal facto serviu perfeitamente esse íntimo anseio). Mas… o que justificará tal desígnio? Sou divisionista, como sugeriu um dos administradores (“Eu optaria por captar energias que unissem”)? Uso termos impróprios? Exprimo ideias contrárias aos interesses dos professores e da Escola Pública? Envergonho a classe? Tenho a certeza absoluta de que não! Se fossem tão pudicos os demiurgos do Faceprof, não teriam deixado correr tanta tinta, quando (de forma completamente cega e injusta) foram muitos os que, sob os olhares cumplicemente passivos do Faceprof, me insultaram, usando termos indignos de uma classe que ensina e educa.
Não me parece correto — não é correto nem admissível — que os administradores de um grupo de professores se comportem como mentores ideológicos dos seus membros. Não me parece digno de um grupo de gente idónea, que alguém decida, por todos, o que é e quem é conveniente e/ou inconveniente. Não é aceitável que os vários milhares de membros desse grupo assistam passivamente a este “divino” controlo, pois não se trata de uma seita com juramento feito de mão assente sobre um conjunto de mandamentos impostos aos neófitos.
Se era o meu anonimato que tanto prurido estava a causar — apesar de ser inequívoca a minha entrega aos interesses da classe a que pertenço — agora está desfeito. Sou alguém que construiu uma reputação (ainda que modesta), nesta interminável odisseia dos professores. Sou alguém que tem estado sempre na linha da frente, aqui e na(s) escola(s), alguém que há dez anos verbaliza, com custos elevados, aquilo que muitos sentem, que muitos desejam, que muitos calam, que muitos consentem... Sou alguém cujo pensamento e cujo posicionamento (constante) não deixa dúvidas a ninguém (de boa fé). Sou o Luís Costa.
Dizei-me, Santos Senhores, por que não há um lugar para mim nesse grupo onde estão aqueles que, com entrega canina, tenho intransigentemente defendido?

5 comentários:

  1. Como sabes não és um caso isolado de exclusão do grupo. Conheço mais dois colegas que também sem explicação foram afastados. A minha sincera solidariedade! Censura nunca mais!

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  2. Um grupo que tem entre os administradores alguém que me conhece muito bem, pessoalmente. E é meu amigo, um amigo que eu nunca ofendi, com quem não tive absolutamente nenhum desentendimento, bem pelo contrário. Imagina agora o que estarão dispostos a fazer aqueles que enfiaram algumas carapuças em textos que eu escrevi, ainda que sem pensar neles.

    Há, no entanto, uma forma de protesto que os membros desse grupo podem adotar, mostrando que não são meros sujeitos da passiva: partilharem ali os textos daqueles que foram injustamente "proscritos".

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  3. A administração do Faceprof, em mensagem privada, deu-me a entender que a porta não estava encerrada. Têm, neste momento, muitos pedidos de adesão (acredito). No entanto, em consonância com tudo o que escrevi, entendi que só me restava uma saída: retirar o meu pedido de adesão. Será melhor para ambas as partes. E o tema Faceprof, para mim, termina aqui.

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  4. Espero não ter sido eu o causador, Anabela!

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