quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Ressuscitaram após a carta que escrevi a João Dias da Silva


Quando, há dias, disse no Facebook que estou disposto a trocar os meus “dez anos” de congelamento por uma bonificação na contagem do tempo para a reforma, estava muito longe de imaginar o fado de tais palavras. Era um mero desabafo, mas imediatamente se transformou numa enorme onda de empatia que me surpreendeu, quer pela dimensão quer pelo vertiginoso ritmo de crescimento. Fenómeno extremamente significativo! O descontentamento dos professores é profundo e colossal!
Como facilmente se compreende, eu não podia ignorar tantos e tantos colegas que se irmanaram no mesmo anseio. Não podia ficar passivo perante tão eloquente demonstração de um querer, perante os apelos diretos que os colegas me foram dirigindo. Não sendo eu membro do Governo, não sendo dirigente sindical, mas apenas um simples professor, só poderia fazer o pouco que estava ao meu alcance. Encaminhar a ideia para quem tem a incumbência de nos representar nos diálogos/negociações com a Tutela. Foi o que fiz, assumindo a responsabilidade das minhas palavras e dos meus atos. Não foi ousadia nenhuma, nenhuma afronta a ninguém, nenhum abuso, foi apenas o concretizar de uma obrigação moral involuntariamente granjeada, mas exercida com honra e dignidade, em perfeito exercício de liberdade de expressão de ideias, num contexto em que elas se fazem tão preciosas e tão prementes.
Confesso que — apesar das inúmeras “feridas de luta” que já conto — me surpreenderam e entristeceram algumas vozes que emergiriam do silêncio após a publicação da carta que enviei a João Dias da Silva. Outra deflagração inesperada (desta vez em contrafogo). Uns, à falta de melhor, resolveram atirar-se ao meu anonimato, outros (no seu pleno direito) não querem desviar-se das “exigências” que o seu sindicato está a negociar com o Governo, e outros acham que quem concordou com a ideia da conversão do tempo “congelado” em bonificação de tempo para a reforma não fez bem as contas, estando, por isso, a embarcar numa ilusão. Aqueles julgam ser mais lúcidos e deixam implícito que estes, apesar dos anos e da longa carreira, precisam de uma espécie de tutoria. Esquecem que ninguém solicitou absolutamente nada que deva ser imposto, proibido ou vedado a quem quer que seja. Foi puro exercício de liberdade e de cidadania, no máximo respeito por todas as liberdades e garantias, quer individuais quer coletivas. Não entendo nem aceito, por isso, a súbita e inusitada efervescência que a minha “obrigatória” missiva causou.
Quanto ao meu anonimato, julgo ser aceitável, porque o exerço em prol do coletivo a que pertenço e de forma digna. Não me parece que possa ser acusado de denegrir a imagem da classe docente. Espero que os meus colegas saibam respeitá-lo, por aquilo que aqui deixo quotidianamente: o melhor de mim. Estou, por isso, determinado a seguir em frente, pelo elevado caminho da retidão, ousando sempre partilhar o que sinto, dizer o que penso, semear as ideias que vou tendo. E faço-o com altruísmo, apesar ter estado sempre só quando sobre mim se abateram os frios ostracismos, as pérfidas retaliações, as imerecidas vinganças.
A. Marte é o nome que vos dei.

8 comentários:

  1. Quadro Negro, é a primeira vez na blogosfera?

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  2. Apoiei, apoio e continuarei a apoiar a ideia que o colega lançou. É evidente que vozes do contra surgem sempre. Concordo com as razões que apresenta neste texto para ter feito o que fez. Estou de acordo com tudo o que aqui deixa escrito. Continuarei a seguir este blog com muito prazer. Cumprimentos.

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  3. A.Marte é um nome bonito. Desconfio que há muita gente a amar-te... ;)

    Quem não concorda com ideia está no seu pleno direito. Tal como quem concorda está no seu. E mesmo que ninguém concordasse, estás tu no teu. A plenitude do direito a ter opinião é inalienável.
    :)

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    1. Nem mais, Nêspera!

      É bom sentir esse amplexo afetivo, que retribuo! :)

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  4. Não me interessa quem é, o que tem dito e feito mostram bem o seu altruísmo e estar totalmente afastado de qualquer partido político. Vou continuar a segui-lo e agradeço-lhe porctudo o que tem escrito e feito!

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  5. Sem dúvida, Pafi! Só tenho um partido (a Educação).
    Obrigado pelas palavras-semente! Feliz com a companhia!

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