domingo, 26 de novembro de 2017

O silêncio dos coniventes


Após o compromisso assinado pelos sindicatos e pelo Governo, no pretérito dia 18, os professores sofreram, no palco mediático, os mais infames ataques, as mais ultrajantes difamações, os mais miseráveis insultos. E tudo isto foi possível, diante de uma tribuna e de uma plateia de silêncios passivamente coniventes. Defenderam-se os ofendidos (a solo e a capella), os sindicatos e… pouco mais. Triste país!
Não consigo imaginar um ataque desta índole (tão repugnante, tão injusto e tão danoso) a outra classe ou grupo profissional sem que as respetivas chefias viessem imediatamente a terreiro repor a verdade e exigir respeito: estou a pensar nas forças militares, nos respetivos comandos e ministro que os tutela; estou a pensar nos médicos e no ministro da Saúde; estou a pensar na Polícia de Segurança Pública, na Guarda Nacional Republicana… Enfim, estou a pensar em setores do Estado não abandonados por quem os tutela e melhor os conhece. Chega a ser ofensivo o silêncio do ministro da Educação e dos seus secretários de Estado. Infelizmente, os professores já não estranham, pois estão habituados a muito pior, vindo de quem os governa, desde que a indigna ministra Maria de Lurdes Rodrigues começou a sua “intifada” difamatória contra a classe docente. Mas ainda a procissão vai no adro (embora já tenham saído os principais andores).
Onde estão os diretores e a sua verborreica associação? Concordam? Não concordam? Ainda são professores? Já não são professores? Sentem-se ofendidos? Não se sentem atingidos? Mas, afinal, não são eles que avaliam os professores? Não são eles, afinal, quem melhor conhece a sua competência, o seu trabalho, a sua de dedicação, o seu sacrifício diário, lutando contra tantas e tantas adversidades? Onde estão? Onde estão? Por que motivo(s) se calam quando a verdade e a realidade clamam pela sua voz? Estão, como sempre, infelizmente, a serenar nos verdes prados da tutela. Desta vez, a beber do cúmplice silêncio que vem de cima.
Os pais e encarregados de educação também conhecem muito bem a dimensão, a abrangência, as múltiplas valências, a desmedida dedicação e a qualidade do trabalho quotidiano dos professores. Porém, o que dizem de tanto vexame, de tanta desautorização pública aqueles que dizem representá-los? Nada! Absolutamente nada! Estão no mais anuente dos silêncios, a assistir a este execrável auto-de-fé, enquanto os mais pequenos, de olhos bem arregalados, aprendem as indevidas e mais perversas lições: que são ensinados e educados por gente gananciosa, preguiçosa e incompetente, gente que ninguém defende, porque, realmente, ninguém respeita. Triste país, aquele que assim menospreza e destrata os seus mestres! Misérrima ingratidão!
Se dúvidas houvesse, desamados professores do meu país, estariam agora completamente dissipadas. Estamos sós, absolutamente sós! Unamo-nos, pois! Unamo-nos mais e mais a cada dia que passa. Sejamos fortes e tão resilientes na luta como somos nos nas múltiplas missões quotidianas que tão generosamente assumimos! É a nossa dignidade que o reclama, é o fruto do nosso trabalho que o exige! Quando o respeito é devido e merecido mas não é exercido, é preciso saber impô-lo. Sem esse fator essencial, todo o nosso trabalho é estupidamente vão. 


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