domingo, 5 de novembro de 2017

Greve de cinco dias


Se não fizermos uma greve esmagadora, no próximo dia 15, os sindicatos vão saber o que é a “defesa radical dos direitos dos professores”: um descongelamento simbólico, só para poder constar. Repito: se não fizermos uma greve arrasadora, podemos esquecer o tempo que ficou no congelador. Os sindicatos sairão desautorizados, e o Governo sentir-se-á à vontade para nos recoroar como otários da(s) crise(s).
Na minha modesta maneira de ver, ainda que façamos uma paralisação total, esse será apenas o átrio desta luta. Não pensem que será “trigo limpo, farinha Amparo”! O Governo cederá, mas (como é expectável) começará pelo mínimo dos mínimos, para ver se o povo sereno se contenta. E vai tentar dividir-nos (é o paradigma da última década), para ver se os remediados se calam e deixam os restantes a falarem sozinhos. É preciso que os sindicatos não façam também o seu habitual número: o de aceitarem um rebuçado qualquer só para cantarem vitória. É também imperioso que Mário Nogueira e João Dias da Silva não se deixem dividir, que determinem já, antes das negociações propriamente ditas, o que é inegociável, ou seja, o mínimo para fecharem acordo com o Governo. E que vão auscultando os professores!
De qualquer forma, tenho a certeza de que, depois do dia 15, será necessário prosseguir a luta. Por isso, avanço aqui a minha ideia para essa segunda fase: sou a favor de uma greve de cinco dias, mas repartida por cinco semanas, começando numa segunda e acabando numa sexta-feira. Creio que tem os ingredientes certos para esta contenda. Contudo, só no dia 15 saberemos se temos gente para prosseguir ou para amouchar. E não venham com a desculpa do dinheiro que a greve custa, porque sai incomensuravelmente mais cara a resignação!

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