sábado, 11 de novembro de 2017

Carta aberta aos professores


Caros colegas,
Está marcada uma greve para o próximo dia 15 de novembro. Sei que muitos de vós estais saturados de “pequenas” ações de luta que, aparentemente, não resultam em nada, ou em muito pouco. No entanto, se, na forma, esta é uma ação de luta igual a muitas outras, na essência é radicalmente diferente. Como já vos disse (creio que repetidamente), tem muito de derradeiro.
Embora sem a capacidade dinamizadora de outros tempos (para promover reuniões em muitas escolas, por exemplo), os sindicatos, conscientes da especial gravidade do momento, estão a investir fortemente neste protesto, elevando diariamente as expectativas (da classe, da sociedade e do Governo) relativamente à adesão dos professores. É, pois, crucial que a resposta seja esmagadora. Não direi que é o momento “do tudo ou nada”, uma vez que não creio que mesmo uma greve a 100% nos garanta tudo (estou convicto de que nenhum professor pensa assim). Todavia, tenho duas certezas, que passo a expor muito telegraficamente: só uma greve arrasadora nos dará capacidade negocial suficiente para recuperarmos o que ainda é possível recuperar; uma greve tímida, medrosa e avulsa será certidão de óbito — de óbito, disse bem — das nossas esperanças, das mais propaladas e daquelas que costumam ser as últimas a morrer, aquelas que ainda acalentamos, no nosso íntimo, mesmo quando já verbalizamos o contrário. Quem nos governa pensará, lucidamente, que se já não somos capazes de nos unir e erguer perante tão gigantesca injustiça (penso na questão mais objetiva e material: o apagamento de uma década, uma década de autêntica escravatura) então jamais seremos classe com força, união e solidariedade suficientes para reivindicar mais nada de vulto. Esmagar-nos-ão.
No próximo dia 15 de novembro, a nossa maior conquista não será de natureza material (a acontecer, será ainda difícil e virá a seu tempo); o nosso melhor troféu será a prova de vida. No próximo dia 15, toda a sociedade saberá se ainda estamos vivos ou se já somos aquilo em que muitos creem: sombras do que já fomos. No próximo dia 15, o nosso tesouro maior — o respeito — vai a leilão, mas a um leilão com um único licitador: a classe docente. É pegar ou largar!
O próximo dia 15 não será, de certeza, o dia de tudo, mas pode (facilmente) transformar-se no dia de nada. É isto que está em jogo, caros colegas!



1 comentário:

  1. Deixo aqui a solicitação/requerimento, enviado em nome da minha pessoa, ao Presidente da República e restantes órgãos da Assembleia da República sobre o propósito de canalizar o desconto do vencimento do dia 15 de novembro por motivo de greve. Já recebi a confirmação de entrega por parte de alguns desses órgãos.
    Aqui vai:

    http://www.parlamento.pt/Paginas/Contactos.aspx

    [preencher com os dados pedidos e obrigatórios]

    Presidente da República
    Grupos Parlamentares
    Secretário-Geral da Assembleia da República
    Divisão de Informação Legislativa e Parlamentar
    Direção de Serviços Administrativos e Financeiros
    Divisão de Gestão Financeira

    Assunto: URGENTE: Solicitação/Requerimento

    Exm/@/s Senhor/@/s Deputad@s ou Exmo. Senhor Secretário-Geral ou Exm/@/s Senhor/@/s

    Eu, fulan@ de tal, portador/a do CC nº 0000000, NIF nº 0000000, venho por este meio solicitar que o desconto no meu vencimento de educador/a ou professor/a do ensino básico ou do ensino secundário, decorrente da minha adesão à greve do dia quinze de novembro p.f., reverta a favor de tod@s @s lesad@s dos incêndios ocorridos neste fatídico ano de 2017.
    Mais requeiro, no âmbito da lei em vigor, que me sejam dados a conhecer os mecanismos legais para que tal se concretize.

    Local, 13 ou 14 ou 15 de novembro de 2017 [se posterior, alterar, no corpo do texto, novembro p. f. para novembro p.p.]
    (Nome completo e legível)
    ------------
    Exmo. Senhor Presidente da República,
    Eu, fulan@ de tal, portador/a do CC nº 0000000, NIF nº 0000000, venho por este meio solicitar que o desconto no meu vencimento de educador/a ou professor/a do ensino básico ou do ensino secundário, decorrente da minha adesão à greve do dia quinze de novembro p.f., reverta a favor de tod@s @s lesad@s dos incêndios ocorridos neste fatídico ano de 2017.
    Mais requeiro, no âmbito da legislação em vigor, que me sejam dados a conhecer os mecanismos legais para que tal se concretize.
    Dou, ainda, a conhecer que também dirigi este pedido aos seguintes órgãos da Assembleia da República: Grupos Parlamentares, Secretário-Geral da Assembleia da República, Divisão de Informação Legislativa e Parlamentar, Direção de Serviços Administrativos e Financeiros e Divisão de Gestão Financeira.

    Local, 13 ou 14 ou 15 de novembro de 2017 [se posterior, alterar, no corpo do texto, novembro p. f. para novembro p.p.]
    (Nome completo e legível)

    ResponderEliminar