Caros colegas,
Está marcada uma greve
para o próximo dia 15 de novembro. Sei que muitos de vós estais saturados de
“pequenas” ações de luta que, aparentemente, não resultam em nada, ou em muito
pouco. No entanto, se, na forma, esta é uma ação de luta igual a muitas outras,
na essência é radicalmente diferente. Como já vos disse (creio que
repetidamente), tem muito de derradeiro.
Embora sem a capacidade dinamizadora
de outros tempos (para promover reuniões em muitas escolas, por exemplo), os
sindicatos, conscientes da especial gravidade do momento, estão a investir
fortemente neste protesto, elevando diariamente as expectativas (da classe, da
sociedade e do Governo) relativamente à adesão dos professores. É, pois,
crucial que a resposta seja esmagadora. Não direi que é o momento “do tudo ou nada”,
uma vez que não creio que mesmo uma greve a 100% nos garanta tudo (estou
convicto de que nenhum professor pensa assim). Todavia, tenho duas certezas,
que passo a expor muito telegraficamente: só uma greve arrasadora nos dará
capacidade negocial suficiente para recuperarmos o que ainda é possível recuperar;
uma greve tímida, medrosa e avulsa será certidão de óbito — de óbito, disse bem
— das nossas esperanças, das mais propaladas e daquelas que costumam ser as
últimas a morrer, aquelas que ainda acalentamos, no nosso íntimo, mesmo quando
já verbalizamos o contrário. Quem nos governa pensará, lucidamente, que se já não
somos capazes de nos unir e erguer perante tão gigantesca injustiça (penso na
questão mais objetiva e material: o apagamento de uma década, uma década de
autêntica escravatura) então jamais seremos classe com força, união e
solidariedade suficientes para reivindicar mais nada de vulto. Esmagar-nos-ão.
No próximo dia 15 de
novembro, a nossa maior conquista não será de natureza material (a acontecer, será
ainda difícil e virá a seu tempo); o nosso melhor troféu será a prova de vida.
No próximo dia 15, toda a sociedade saberá se ainda estamos vivos ou se já
somos aquilo em que muitos creem: sombras do que já fomos. No próximo dia 15, o
nosso tesouro maior — o respeito — vai a leilão, mas a um leilão com um único
licitador: a classe docente. É pegar ou largar!
O próximo dia 15 não
será, de certeza, o dia de tudo, mas pode (facilmente) transformar-se no dia de
nada. É isto que está em jogo, caros colegas!
Deixo aqui a solicitação/requerimento, enviado em nome da minha pessoa, ao Presidente da República e restantes órgãos da Assembleia da República sobre o propósito de canalizar o desconto do vencimento do dia 15 de novembro por motivo de greve. Já recebi a confirmação de entrega por parte de alguns desses órgãos.
ResponderEliminarAqui vai:
http://www.parlamento.pt/Paginas/Contactos.aspx
[preencher com os dados pedidos e obrigatórios]
Presidente da República
Grupos Parlamentares
Secretário-Geral da Assembleia da República
Divisão de Informação Legislativa e Parlamentar
Direção de Serviços Administrativos e Financeiros
Divisão de Gestão Financeira
Assunto: URGENTE: Solicitação/Requerimento
Exm/@/s Senhor/@/s Deputad@s ou Exmo. Senhor Secretário-Geral ou Exm/@/s Senhor/@/s
Eu, fulan@ de tal, portador/a do CC nº 0000000, NIF nº 0000000, venho por este meio solicitar que o desconto no meu vencimento de educador/a ou professor/a do ensino básico ou do ensino secundário, decorrente da minha adesão à greve do dia quinze de novembro p.f., reverta a favor de tod@s @s lesad@s dos incêndios ocorridos neste fatídico ano de 2017.
Mais requeiro, no âmbito da lei em vigor, que me sejam dados a conhecer os mecanismos legais para que tal se concretize.
Local, 13 ou 14 ou 15 de novembro de 2017 [se posterior, alterar, no corpo do texto, novembro p. f. para novembro p.p.]
(Nome completo e legível)
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Exmo. Senhor Presidente da República,
Eu, fulan@ de tal, portador/a do CC nº 0000000, NIF nº 0000000, venho por este meio solicitar que o desconto no meu vencimento de educador/a ou professor/a do ensino básico ou do ensino secundário, decorrente da minha adesão à greve do dia quinze de novembro p.f., reverta a favor de tod@s @s lesad@s dos incêndios ocorridos neste fatídico ano de 2017.
Mais requeiro, no âmbito da legislação em vigor, que me sejam dados a conhecer os mecanismos legais para que tal se concretize.
Dou, ainda, a conhecer que também dirigi este pedido aos seguintes órgãos da Assembleia da República: Grupos Parlamentares, Secretário-Geral da Assembleia da República, Divisão de Informação Legislativa e Parlamentar, Direção de Serviços Administrativos e Financeiros e Divisão de Gestão Financeira.
Local, 13 ou 14 ou 15 de novembro de 2017 [se posterior, alterar, no corpo do texto, novembro p. f. para novembro p.p.]
(Nome completo e legível)