domingo, 22 de outubro de 2017

Ordem dos Professores e Educadores


Está na crista da atualidade a greve do próximo dia 27 e as razões que a motivam. São, sem dúvida, razões mais do que suficientes para tal (bastaria, como já aqui disse, a primeira enunciada pela Fenprof: “Descongelamento das progressões na carreira com recuperação de todo o tempo de serviço perdido”). Estarei, por isso, como sempre, na primeira linha de mais uma ação reivindicativa. Todavia, devo dizer que há questões muito mais profundas por resolver, questões que interferem diretamente com as singularidades do nosso trabalho, com a essência da nossa profissão, com a tão almejada, tão reclamada, tão perdida e tão pedida autoridade.
Congelamentos e descongelamentos, progressões na carreira, índices remuneratórios, concursos, contratos, períodos probatórios… são, indubitavelmente, assuntos importantíssimos. Deles depende toda a estabilidade e/ou instabilidade da nossa vida, logo do nosso desempenho quotidiano. Contudo, não é aí que reside a singularidade da nossa profissão, nem foi nessas condições de trabalho que fomos mais violentamente feridos e espoliados do que os demais trabalhadores do Estado. Podemos, num ou noutro aspeto (muito por culpa da nossa resignação) ter sofrido perdas algo mais gravosas, mas não tão gravosas como aquelas que temos sofrido na nossa autonomia pedagógica e na dimensão ética das nossas decisões quotidianas. São tão corrosivas, tão deletérias, que têm vindo a transformar pedagogos em meros implementadores de diretivas pedagógicas. As primeiras roubaram-nos alguma estabilidade, conforto, equilíbrio pessoal e social… mas só estas nos subtraíram a autoridade. Com a recuperação daquelas, viveremos melhor, mas só com estas recuperaremos o respeito que merecemos, o respeito inerente e tão essencial à nossa nobre missão.
Nunca foi, como atualmente, tão necessária, tão premente, tão vital para os professores, a criação de uma Ordem. Precisamos, urgentemente, de criar a Ordem dos Professores e Educadores, pois só assim — na minha maneira de ver — podermos reerguer-nos e sair do jugo em que nos deixámos amarrar. Precisamos de uma Ordem para exigir a definição deontológica do nosso Estatuto, para demarcar as nossas fronteiras éticas, para clarificar com precisão o que pode e não pode ser-nos exigido, o que podemos e/ou não podemos recusar, onde começa e onde acaba a nossa autonomia pedagógica (coletiva e individual)… Enfim, precisamos prementemente de uma Ordem para sermos efetivamente quem realmente somos conceptualmente e quem o país precisa que sejamos.

PS - Como já adivinho as velhas objeções, prometo tratar, no(s) próximo(s) texto(s), do “como” e do “quem”. 

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