terça-feira, 24 de outubro de 2017

Imperativo moral de fazer greve

Quadro tristemente habitual: muitos professores completamente alheados, idêntico grupo dos que pensam que um dia de greve não tem impacto nenhum, servindo apenas para perder dinheiro, e um punhado de monges da resiliência, vistos pelos demais como anjinhos.
Dos alheados não reza a História. Nem lhes dedico mais do que estas duas frases.
Entre os que não creem nos resultados de um só dia de luta, há muita gente cansada de greves “falhadas”, que se escoaram em entediantes guerras de números, nos telejornais das 20 horas, mas há também os profissionais da antítese (os que acham sempre que se fosse de outro modo é que seria bom). Embora entenda, até certo ponto, a descrença dos primeiros, tenho de dizer o seguinte: se nós temos razões para não acreditar na eficácia de um dia de paralisação (e, por isso não aderimos) também os sindicatos têm imensas razões para não se lançarem na aventura de vários dias de greve, sabendo que têm nas escolas uma classe profissional em adiantado estado de desmobilização. Bloqueio. E como se sai de um impasse destes? Respondendo de forma esmagadora a este apelo dos sindicatos, para que eles sintam e percebam que podem ir mais longe, tão longe quanto a dimensão da resposta vinda do terreno. Caso contrário, jamais sairemos deste pântano de inércia em que, lentamente, putrefazemos.
Felizmente, ainda tremeluz a aura dos monges da resiliência ativa, o já raro capital de esperança da classe docente. Agem de acordo com princípios e valores, cumprindo os ditames da sua consciência, alheios a cálculos, a perspetivas de adesão, a conjeturas... Cumprem o seu papel, ainda que tenham a certeza de que vão estar sós no tabuleiro da contenda. Esses, sim, são imprescindíveis. É neles que estão preservados, intactos, os genes da autoridade que a classe espera recuperar.
Hoje, curvo-me (não por subserviência, mas por respeito) diante daqueles que têm tal envergadura moral!

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