sábado, 28 de outubro de 2017

Greve de claras em castelo


Foi estrategicamente irrepreensível a FENPROF (Mário Nogueira), quando decidiu juntar-se à greve da Função Pública. Sabia que obteria um bom resultado, contabilizado em escolas encerradas, porque os funcionários dariam o esperado contributo decisivo. Desta forma, poderia proclamar um êxito superior ao real. Porém, a frieza da lucidez permanece intacta, e impõe-se aos atos vindouros.
Sinceramente, eu pagaria para ter conhecimento do número exato de professores que ontem fizeram greve. Sou uma pessoa sonhadora, mas gosto de erguer os meus sonhos a partir de uma realidade sólida. Só assim consigo acreditar neles. E para acreditar que é possível ir mais além na luta — fala-se em megamanifestações, em greves de cinco dias, em greves por tempo indeterminado… — é necessário conhecer, sem malabarismos interpretativos, o rigor dos números, que suspeito não serem muito auspiciosos.
Uma vez mais, acabei por sentir desapontamento com a adesão dos professores a uma ação de luta justíssima, mais do que justificada, no tempo e na forma escolhidos (havia — e há — motivos mais do que suficientes para uma adesão esmagadora, total). Senti, uma vez mais, uma corrosiva desilusão com tanto alheamento, tanta desculpa estúpida, tantas atitudes e palavras esquivas, tanto egoísmo, tanto individualismo, tanta falta de solidariedade e de união na classe docente, que já recebe lições de todos os restantes setores profissionais, incluindo aqueles que, nas escolas, os auxiliam no trabalho. Talvez até sinta uma vergonha que não ouso admitir!
Por todos estes infelizes motivos, não acredito que Mário Nogueira esteja realmente tão eufórico como verbaliza. E se assim for, como é lógico, o passo seguinte terá de ser, novamente, muito curto e comedido, pois não é prudente, em solo movediço, fazer impulso, para salto arrojado. 

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