quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Escola-alfaiate



Até compreendo a metáfora da escola-alfaiate, concebida pelo Senhor Ministro da Educação em dia destinado a fazer prova de vida. Não é uma relíquia literária, mas percebe-se, o que já não é mau de todo. Contudo, não deixa de ser fraquinha, tão fraquinha quão falaciosa, porque gera em nós a falsa ideia de currículo feito por medida, cintadinho, justinho ao corpo e ao cérebro de cada catraio e de cada catraia. Um ensino básico obrigatório por medida?
Dá-se então o surgimento desta metáfora em plenos preliminares da tão prometedora flexibilidade curricular, que anda de cochichos com a comadre municipalização. Não estaremos muito longe da verdade, se pensarmos que a escola-alfaiate pertence à linhagem do PNPSE, dos planos de ação estratégica, do mitológico Fénix… Terá, pois, os genes familiares, ou seja, será uma espécie de franchising da alta-costura economicista. Por medida, sim, mas com tecido e linhas fornecidos e com um exaustivo manual de instruções, que vão do corte até ao número de voltas que a agulha deve dar em cada botão que prende. Os alfaiates não serão criativos, serão meras máquinas de cortar e coser. Além disso, há que ter em consideração que se trata de um cluster de país pobre: o fato, para além de vestir bem e de ser moderninho, tem de ser baratucho. Missão impossível? Talvez não.
Há, de facto, uma boa solução para as escolas-alfaiate: tecido de licra e fato integral semelhante ao do homem-aranha, mas com várias cores disponíveis e alguns apliques, para personalizar o produto. É económico, leve, fácil de arrumar e de transportar e seca rápido. Lava-se à noitinha e de manhã já está pronto a vestir, pois nem sequer precisa de passagem a ferro(s). E as vantagens não ficam por aqui: com poucos tamanhos, podemos vestir todos os corpos e todas as mentes, sejam quais forem as suas… tendências.

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