quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Ainda as provas de aferição


Mas, desta vez, é para falar dos RIPA, os relatórios individuais das provas de aferição, que o Ministério envia aos encarregados de educação, através das escolas e entregues pelas mãos dos diretores de turma. Contêm, basicamente, uma descrição detalhada do que cada aluno fez, ou não fez (com quatro graus de proficiência), naquele conjunto de questões selecionadas para a prova, acrescentando, em certos casos, o que deveria ter sido feito e porquê. Nada, como é óbvio, contra estes esclarecimentos. A minha objeção é de outra índole.
Serei caso único ou há por aí mais alguém que, tal como eu, pense que o Ministério da Educação, ao transmitir estas informações diretamente aos encarregados de educação, está, uma vez mais, a ultrapassar e a desautorizar os professores? Será que as escolas não têm gente capaz de transmitir tais informações aos alunos e seus encarregados de educação? Não têm profissionais capazes de fornecer elementos muito mais abrangentes, logo mais interessantes e mais úteis sobre as dificuldades dos alunos? Ou será que não considera os professores confiáveis ou suficientemente capazes de expor esta informaçãozinha a pais e alunos sem a deturparem? Mais: será preciso todo este aparato das provas de aferição (e a consequente perturbação do normal funcionamento das escolas, no final do ano e em véspera de exames) para fornecer a todos os elementos da comunidade escolar tais informações? Será que os professores, sem intermediários, não têm já informação muito mais significativa na sua posse? Tenho a certeza de que sim.
Mesmo admitindo que as intenções do Ministério são apenas o que se assume que são e não aquilo que a minha paranoia teima em ver, ainda assim sou obrigado a chegar a esta triste conclusão: a tutela educativa escreve a pais para lhes dizer o que os filhos foram capazes de fazer num limitado conjunto de perguntas de uma determinada prova de uma certa disciplina, quando tem, nas escolas, profissionais capacitados para dizerem, não o que cada aluno foi capaz de fazer, mas o que é e não é capaz de fazer em cada disciplina. E é o que fazem, constantemente. A diferença é colossal. É por isso que duvido muito das boas intenções anunciadas.  

1 comentário:

  1. Esperar que crianças de 7 e 8 anos cresçam a partir de um momento tão angustiante? Erro crasso!
    Assinam a como não usam o telemóvel que não têm, proibidos de beber em pleno tempo quente. Vomitam ou urinam-se em plena sala.

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